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EDP Business Summit

Líderes e empresas comprometidos com a transição energética

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“Para mudar o amanhã, temos de agir hoje”

“Para mudar o amanhã, temos de agir hoje”

Para evitar o aquecimento do planeta acima de 1,5ºC, objetivo estabelecido pelo Acordo de Paris, é indispensável avançar na descarbonização e, consequentemente, na eletrificação do consumo de energia. “Para isso, devemos atingir 95% de energia renovável na geração geral de energia até 2050, ao mesmo tempo que teremos de satisfazer o aumento da procura por energia elétrica, que será três vezes mais nesse mesmo ano”, ilustrou Vera Pinto Pereira, administradora executiva da EDP, na abertura da EDP Business Summit. Apelou ainda à participação de todos os intervenientes: “todos nós – indústrias, serviços, grandes empresas, pequenos negócios teremos um importante papel a acelerar a transição energética e a moldar uma sociedade mais responsável”.

Também Miguel Fonseca, administrador da EDP Comercial considera que este é o caminho, mas que ainda falta “uma consciência cada vez mais universal para a urgência de fazer esta transição e de a fazer rapidamente”. Pelo que, eventos como a EDP Business Summit’21, têm como objetivo lembrar o papel de cada um nesta luta e de facilitar esta transformação. “Na EDP, queremos posicionar-nos como um parceiro de sustentabilidade”, conclui.

O empenho do mundo corporativo em estar cada vez mais atento às oportunidades do mercado neste setor comprova-se com a adesão a este evento totalmente digital, que refletiu, igualmente, a ação de liderança da EDP a nível nacional e internacional: “35% das inscrições foram de participantes internacionais, de 25 países – apesar de a EDP só ter clientes empresariais em cinco mercados”, refere Vera Pinto Pereira.

 O formato digital permitiu ainda que os participantes pudessem colocar questões em direto aos oradores e dar feedback do que se discutia online.

Tendências mundiais

O keynote foi de Bertrand Piccard, explorador, psiquiatra e fundador da Fundação Solar Impulse, garantiu que sustentabilidade ambiental e financeira não só são possíveis em conjunto, como são a oportunidade de negócio do século. Seguiram-se painéis para debater as três grandes tendências mundiais que pretendem acelerar a transição energética: geração solar distribuída, mobilidade elétrica eflexibilidade.

Para debater os vários temas, foram convidados oradores de diversas geografias e áreas de trabalho, como: Mariana Mazzucato (University College London), Gabriel Nebreda (EDP Solar, Espanha), Jan Burdinski (Hyundai Motor Company), Roger Atkins (Electric Vehicles Outlook), Koyen Noyens (EVBox), Pedro Vinagre (EDP Comercial), Norela Constantinescu (European Networks for Transmission System Operators for Electricity), Sanda Tuzlic (Accenture), Michael Phelan (GridBeyond), António Coutinho (EDP Inovação) e, para fechar, o designer e artista Daan Roosegaarde. A apresentação e moderação esteve a cargo do jornalista Pedro Pinto. Vera Pinto Pereira quis ainda lembrar que a sustentabilidade já faz parte do ADN da empresa há alguns anos: “fizemos o primeiro investimento nas energias renováveis há mais de 15 anos e recentemente assumimos o compromisso de investir 24 mil milhões de euros na transição energética até 2025”.

Atingir a neutralidade carbónica até 2030 é outro dos marcos a que pretendem chegar. “Mas também temos de promover esta mudança junto dos nossos clientes e de continuar a ser capazes de inovar, para oferecer soluções que permitam às empresas serem participantes ativos na transição energética.”

EDP na liderança

O investimento da EDP na transição energética resultou em diversos produtos e serviços que a empresa tem à disposição dos seus clientes. “A EDP já oferece diferentes modelos de negócio feitos à medida de cada empresa, como a implementação de ações de eficiência energética, com poupanças significativas para os clientes pela supressão de consumo da rede, ou as soluções de fornecimento de energia de origem renovável em regime de PPA (Power Purchase Agreement), que oferecem competitividade e estabilidade de preços a longo prazo, em energia verde”, explica Miguel Fonseca, administrador da EDP Comercial. No caso específico do autoconsumo de energia solar, o modelo “As-a-Service” é exemplificativo. Aqui, a EDP assume 100% do investimento e da responsabilidade de operação e manutenção da instalação, oferecendo simultaneamente ao cliente, uma garantia de produção e de rentabilidade. A empresa protege ainda as empresas da volatilidade dos preços de energia no mercado, “quer pela redução de consumo, por maior eficiência e autoconsumo, quer pela possibilidade de contratação a longo prazo de energia 100% verde”, conclui Miguel Fonseca.

In Jornal de Negócios, 25 Jun 2021

Sustentabilidade e rentabilidade: como ir à Lua e voltar

Sustentabilidade e rentabilidade: como ir à Lua e voltar

“Este é o momento para repensar a forma como fazemos negócio, o capitalismo e a economia e lembrar que é a forma como governamos as nossas empresas públicas e privadas que cria valor”, começou por dizer Mariana Mazzucato, oradora convidada da EDP Business Summit para o painel “How to Green Your Business: Sustainability and Profitability Hand in Hand”.

“Devemos mudar a maneira como ‘fazemos capitalismo’ – a maneira como o setor público é organizado (mais como um co-criador de mercados, não apenas um regulador), a maneira como o setor privado é governado (atualmente é muito financiado e de curto prazo), e a maneira como eles se relacionam (através de parcerias simbióticas e não parasitárias)”, acrescentou em entrevista ao Jornal de Negócios.

Covid-19: “Wake up call”

De acordo com a economista, a pandemia trouxe urgência à inovação social, organizacional e tecnológica. Trouxe também a necessária injeção de liquidez nas economias, mas que, só por si, não é suficiente. “O risco é que, por detrás dos grandes fundos de recuperação, a austeridade volte. Na verdade, no passado, a austeridade pós-crise financeira tornou a crise muito pior do que deveria ser”. O “momento Covid- -19”, como o designa, “foi importante porque vimos que não estávamos preparados, nem para produzir os equipamentos de proteção para os ‘trabalhadores da frente’, nem para ter sistemas de teste e rastreio ou para fazer frente às desigualdades no acesso à tecnologia e, consequentemente, no acesso à educação, durante o confinamento.” Acredita, por isso, que não estamos preparados para resolver as grandes questões do nosso tempo: seja a crise de saúde mundial, sejam as alterações climáticas. “Precisamos de uma economia-missão, focada em resolver estes problemas, mas também focada nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) [definidos pelas Nações Unidas], e não estamos a andar ao ritmo certo”.

Alterar o capitalismo vigente

Para Mariana Mazzucato é essencial ir à fonte dos problemas para avançar no caminho certo. E um dos mais prementes “é o facto da finança se financiar a si mesma, o que cria diversos tipos de bolhas, como a do imobiliário há 10 anos atrás”. Ou seja, cerca de 80% do financiamento global está a ser integrado de novo no setor financeiro: nas Finanças, nos Seguros e no Imobiliário” (ou FIRE – Finance, Insurances, Real Estate). Alterar este mecanismo, “é questão fundamental deste século”, afirma. Acrescenta ainda que também o setor empresarial se tornou obcecado em maximizar o valor do acionista, referindo que, nos últimos dez anos, 4 triliões de dólares não foram investidos em projetos de pesquisa e desenvolvimento ou na formação de recursos humanos, mas foram usados para fazer aumentar o valor das ações e o pagamento aos executivos das empresas.

Para a especialista este é o segundo problema que tem de ser resolvido e introduz um terceiro: a burocratização, inércia e infantilização do setor governativo. Demasiado apoiado em empresas de consultoria externas, focado em colocar apenas “pensos rápidos” nas grandes questões e com fracos investimentos nas suas organizações: “vai acabar por agir sempre muito pouco, demasiado tarde”.

A solução passa por um tipo diferente de capitalismo, que coloque a missão no centro. Ou seja, que transforme as necessidades em objetivos específicos, capazes de ser mapeados e concretizáveis, e que promova a inovação e a cooperação entre os vários setores da sociedade. Acredita que só assim vai ser possível avançar no sentido da sustentabilidade do planeta e da nossa qualidade de vida. É preciso, mais do que discutir como se chega lá, começar a andar nesse sentido. “Walk the talk”, concluiu.

Missão: ir à lua e voltar

Ao longo dos últimos anos, Mariana Mazzucato tem desenvolvido uma visão do que considera ser o (necessário) novo capitalismo. Ao estudar a história do projeto Apollo 11, que colocou o primeiro homem na Lua em 1969, desenhou uma estratégia focada em missões. Dali retirou lições sobre dinâmicas entre culturas organizacionais que abraçam o risco e a incerteza, que provocam investimentos intersetoriais na inovação em objetivos públicos. Há dois anos, foi convidada pela Comissão Europeia para construir um relatório sobre inovação e como orientá-la para missões, de forma a ajudar a guiar as políticas europeias neste sentido. Transformou os ODS em objetivos concretos, de promoção da inovação e investimento intersectorial, e redesenhou as ferramentas para lá chegar e promover a inovação de baixo para cima. Considera que “precisamos deixar de nos centrar nos setores isoladamente, pensar nas grandes questões, e de que forma os diferentes setores podem ser envolvidos

In Jornal de Negócios, 25 Jun 2021

O sol indica o caminho

O sol indica o caminho

Esta é uma década decisiva para a revolução solar”, anunciou Gabriel Nebreda, diretor da EDP Solar Espanha, na sua intervenção na EDP Business Summit’21, no painel “Creating a Brighter Tomorrow: The Sun Leads the Way”. “Qual a empresa que quer ficar para trás sabendo que os consumidores estão a por a sustentabilidade à frente?”, questiona. E uma das formas mais fáceis, rápidas e baratas de reduzir a pegada de carbono é a instalação de painéis solares fotovoltaicos. Conforme explicou, para o setor empresarial, avançar com este tipo de iniciativas mostra aos clientes o empenho num caminho mais sustentável, que estes cada vez mais querem seguir, bem como tornar-se-á numa fonte de poupança e de rendimento.

Atualmente, os estímulos económicos para a recuperação pós-pandemia e os pacotes financeiros disponibilizados pela União Europeia constituem uma excelente oportunidade para se avançar para soluções descarbonizadas – mesmo para os clientes residenciais.

Soluções no mercado

A própria EDP, mais uma vez ao lado dos clientes, disponibiliza soluções à medida das suas necessidades e orçamentos. Com o modelo “As-a-Service”, por exemplo, o investimento na instalação solar é suportado pela EDP. “Podemos colocar painéis solares no seu telhado sem qualquer custo. Trata mos de tudo”, explicou o diretor da EDP Solar Espanha, à audiência online. E, ao contrário do que se pensa, “70% dos telhados são elegíveis para a instalação de painéis solares”, destacou Nebreda, desmistificando: “Não posso ter painéis porque não tenho sol suficiente na minha zona, é um mito.

Na Península Ibérica, há mais radiação do que se pensa. Se pedirem um estudo de radiação à EDP, de certeza que vão ficar espantados com o resultado”. Para o especialista, o futuro está nas comunidades locais de energia: “Poderá poupar na fatura, apenas por partilhar com os vizinhos a sua energia solar”. E rematou: “Na EDP acreditamos que a mudança só acontece se todos pudermos participar”.

Pioneiros e visionários

A queda dos custos de fabrico dos painéis fotovoltaicos, o seu design mais moderno e variado, as inúmeras opções de financiamento e instalação, bem como o rápido retorno do investimento – através da redução da fatura de eletricidade e da venda da energia excedente ao operador da rede – são fatores determinantes para o cres cimento do setor solar. Em Portugal, de 2012 a 2021, a capacidade instalada dos parques solares quadruplicou: de 244 MW passou para 1067 MW.

Com mais de 300 dias de sol por ano, tudo indica que a trajetória se manterá, como salientou Bernard Piccard: “Portugal tem uma posição privilegiada e a EDP, como companhia líder, também”. Orador convidado a abrir a EDP Business Summit’21, o explorador Bertrand Piccard, profundo conhecedor das potencialidades da energia solar – pois foi o primeiro homem a dar a volta ao Mundo num avião movido com recurso apenas aquela energia – “o que pode ser feito no céu também pode ser feito no chão”, referiu na sua intervenção, acrescentando que é preciso explorar todas as hipóteses, sobretudo no que diz respeito às potencialidades desta fonte de energia.

“Para as empresas pode ser assustador, mas é a única forma de sobreviver. Para nós, exploradores, é mais fácil perceber que temos de arriscar.” E conclui: “Todas as oportunidades de negócio estão disponíveis hoje, mas são utilizadas apenas pelos pioneiros”.

Parcerias de sucesso

Com mais de 800 projetos de parques fotovoltaicos em empresas de Portugal e Espanha, a EDP é um dos líderes de solar distribuído da Península Ibérica. Na sua intervenção, Gabriel Nebreda, destacou três exemplos.

Exide

Multinacional fabricante de baterias Da parceria com esta empresa, no modelo “As-a-service”, já resultou a instalação do maior parque fotovoltaico de Portugal com sistema de armazenamento de energia. Ao todo, são mais de 10000 painéis solares numa área de 20000 m2 em Castanheira do Ribatejo e Azambuja. A energia produzida cobre parte da eletricidade consumida pelas duas unidades, permitindo uma poupança significativa e reduzindo as emissões de CO2 em 31000 toneladas. “que se estendeu a Espanha e que deve alargar-se também a Itália e Polónia.”

Millennium BCP

Instituição bancária São 3700 painéis solares instalados em três dos seus edifícios no TagusPark, em Oeiras, com 1MWp de potência instalada, que permite produzir cerca de 1,3 GW/ano. Esta solução suporta 10% do total de consumo da instituição e representa uma poupança de cerca de 16,3% na fatura de eletricidade. Permitiu também reduzir anualmente em 572 toneladas emissões de CO2.

Burger King

Cadeia de restauração Instalação de mais de 12000 painéis solares em 300 restaurantes, em Espanha. Permitirá gerar energia suficiente para preparar mais de 39 milhões de hambúrgueres e reduzir as emissões de CO2 em mais de 2300 toneladas por ano. A parceria deverá alargar-se em breve para Portugal.

In Jornal de Negócios, 25 Jun 2021

O que se espera da mobilidade elétrica

O que se espera da mobilidade elétrica

Para alcançar a neutralidade carbónica, é essencial reduzir 90% das emissões no setor dos transportes até 2050. Discutir o papel das empresas de energia e dos prestadores de serviços associados, bem como das empresas, públicas e privadas, e dos consumidores individuais, foi o ponto de partida do terceiro painel da “EDP Business Summit 2021 – Leaders and Corporations committed to the Energy Transition”.

Moderado pelo jornalista Pedro Pinto, o painel contou com: Roger Atkins, fundador da consultora ‘Electric Vehicles Outlook’, Jan Burdinski, diretor Executivo e líder das relações governamentais europeias na Hyundai Motor Company, Koen Noyens, CEO da EVBox e Pedro Vinagre, administrador da EDP Comercial.

Foi Pedro Vinagre quem deu início à temática, assumindo que “estamos a viver um período fundamental para a sustentabilidade do nosso planeta e é essencial descarbonizar, descentralizar e digitalizar”. Acrescentou que a descarbonização não pode ser feita sem que os transportes se eletrifiquem, sendo que esta é uma solução já em marcha, avançando dados: “se olharmos para o primeiro semestre de 2021, houve um aumento em 140% da venda de carros elétricos”. Números que têm tanto de impressionante, como de otimistas.

Pedro Vinagre acredita que “será a mobilidade elétrica que irá impulsionar a descentralização e a digitalização, através de soluções como ‘vehicle-to-grid’ [carregadores que permitem descarregar a energia armazenada na bateria, acrescentando valor ao veículo enquanto está estacionado], ‘smart charging’ [gestão inteligente de cargas] e todas elas irão contribuir para a resiliência da rede de distribuição”. Segundo o administrador da EDP Comercial, a visão da empresa “é tornar a mobilidade elétrica mais simples e acessível para todos.” E para isso, segundo todos os intervenientes, um dos setores onde é preciso atuar é o do carregamento dos veículos.

Uniformizar acessos e processos

Foi precisamente este ponto que Koen Noyens, CEO da EVBox, abordou, pois acredita que o estabelecimento da infraestrutura de carregamentos de VE precisa de ser a prioridade número um na agenda política global. Considera que não há ainda muito conhecimento sobre o que envolve toda a infraestrutura de carregamento de veículos elétricos, mesmo entre os decisores europeus. É, por isso, determinante, informar sobre todos os processos, mas também “implementar políticas que eliminem as barreiras do mercado”. Acrescentou ainda que “na Europa, do lado da infraestrutura, verificamos uma manta de retalhos de abordagens nacionais, interoperabilidade de requisitostécnicos e modelos de planeamento de política incoerentes, que correm o risco de desacelerar a transição VE no exato momento em que deveria estar a acelerar”. Jan Burdinsky considerou que, efetivamente, o carregamento é um fator condicionante para a adesão à mobilidade elétrica. Que, se é necessário reduzir a emissão de poluentes e apostar na infraestrutura da mobilidade elétrica, é essencial encarar a questão do carregamento.

“Tem de se alterar a legislação. Tem de ser conveniente e fácil a sua utilização” em toda a Europa, sem divisões. No que diz respeito à eletrificação da mobilidade, Roger Atkins acredita que “há uma convergência que está bem encaminhada e que a conectividade e a eletrificação dos veículos irão romper o status quo do último século”. No entanto, é preciso pensar na forma como irá ser feita esta transição, sobretudo no que se refere à produção dos veículos. Considera que “a indústria automóvel terá de agilizar os seus planos de ação, encurtá-los no tempo e acompanhar a evolução da tecnologia”.

Conforme resumiu Koen Noyens, as políticas nacionais podem estimular o desenvolvimento e permitir que os investidores privados vão além do que se está a fazer neste momento. É aqui que o público e o privado se encontram, fornecendo uma estrutura estável, para que os investidores privados possam investir. É disso que estamos à espera”.

In Jornal de Negócios, 25 Jun 2021

A chave para a transição energética

A chave para a transição energética

Para os oradores convidados do painel “Rethinking Power Systems: Understanding Energy Flexibility”, da EDP Business Summit’21, moderado por António Coutinho, presidente da EDP Inovação, não há dúvidas: aumentar a produção de energia a partir de fontes renováveis traz novos desafios para manter o equilíbrio do sistema.

O sol, a água e o vento não estão sempre disponíveis nem produzem energia de forma contínua. É, por isso, necessário encontrar mecanismos que garantam a estabilidade da rede, de forma a assegurar que não há interrupções no fornecimento. Mas há um limite para o número de fontes de energia que um sistema consegue acomodar. Com o aumento das energias renováveis, só através de mecanismos de flexibilidade será possível integrá-las a todas.

“O aumento do lado da procura da geração energética bem como da mobilidade elétrica exige, da perspetiva de um sistema de energia, um amortecedor: a flexibilidade, que precisa de manter permanentemente o equilíbrio entre oferta e procura”, explicou Norela Constantinescu, uma das oradoras convidadas e que lidera atualmente a equipa de pesquisa e inovação do European Networks for Transmission System Operators for Electricity (ENTSO-E). Neste novo modelo energético, o consumidor – empresarial ou particular – é agora também um produtor de energia, ou um “prosumidor”: consome eletricidade, mas também fornece à rede a energia que possui em excesso ou armazenada, sempre que for solicitada. Consequentemente, “esta é a oportunidade para as empresas e para os clientes residenciais reduzirem os seus custos energéticos e contribuírem para o planeta”, salientou Sanda Tuzlic, diretora executiva dos serviços de transição energética da Accenture, que marcou presença no mesmo painel. Efetivamente, a contribuição para o equilíbrio do sistema energético tem um preço, suportado pelos operadores e que se reflete diretamente na fatura de eletricidade do consumidor.

Para esta especialista, “envolver os clientes é fundamental”. “É necessário colocá-los no centro da transição energética”, reforçou Norela Constantinescu. Isso só será possível, segundo Tuzlic, através de transparência, simplicidade e controlo. Defendeu ainda que o cliente tem de saber com o que pode contar, o processo tem de ser simples, e tem de sentir que controla todas as etapas. É também fundamental que a flexibilidade torne todos estes esquipamentos – como por exemplo, os veículos elétricos – mais acessíveis em termos económicos.

Derrubar barreiras

A flexibilidade dos sistemas energéticos vai desde uma geração mais flexível até sistemas de transmissão e distribuição mais fortes, mais armazenamento e uma procura mais flexível. Estima-se que o mercado de serviços de sistema, por via da gestão da flexibilidade na carga dos clientes, atinja, a nível mundial, uma capacidade global acumulada acima dos 1.000 GW em 2040 – o equivalente a 46 vezes a atual capacidade instalada em Portugal.

Os oradores presentes concordaram que é urgente acelerar todo este processo para cumprir, até 2050, as ambiciosas metas do Acordo de Paris. Para isso, dizem, precisamos de legisladores criativos e com um espírito inovador. Como Sanda Tuzlic ajudou a concluir: “é preciso agir, temos de transformar a espinha dorsal do nosso setor energético; derrubar barreiras técnicas e regulamentares”.

In Jornal de Negócios, 25 Jun 2021

Onde está a flexibilidade?

Onde está a flexibilidade?

Michael Phelan, CEO da GridBeyond, convidado para a EDP Business Summit, para o painel “Rethinking Power Systems: Understanding Energy Flexibility”, revelou na sua intervenção que acredita que “a maioria dos clientes não se apercebe que tem flexibilidade”. E destacou: “Com as renováveis e a transição, a flexibilidade tem muito valor nos mercados energéticos”.

Ao identificar a flexibilidade de equipamentos ou máquinas e conectá-los a uma plataforma de energia inteligente, as empresas podem rentabilizar a sua flexibilidade através de serviços de energia como DSR (Demand Side Response, ou “Resposta do Lado da Procura”), por exemplo. Sanda Tuzlic diretora executiva dos serviços de transição energética da Accenture, também convidada para este painel, acrescentou ainda que “o operador tem de perceber os negócios dos clientes e como eles se podem adaptar para integrar a flexibilidade nos seus processos,

In Jornal de Negócios, 25 Jun 2021

Quando o Homem sonha…

Quando o Homem sonha…

Foi em 1999, depois da sua volta ao Mundo num balão de ar quente, que Bertrand Piccard sonhou com um avião solar. Na sua intervenção na abertura do EDP Business Summit’21, quis contar a história desse projeto, que o tornou num dos maiores promotores do desenvolvimento sustentável a nível mundial. A importância do combustível para o sucesso da sua missão a bordo do balão de ar quente – que levantou com 3,7 toneladas de propano líquido e aterrou com apenas 40 quilos – impeliu-o a mudar de direção: iria repetir a volta ao mundo, mas desta vez sem qualquer combustível fóssil.

“O céu não é o limite. O combustível é que é o limite”, contou em tom de brincadeira. “O sonho era nunca ter de voltar a aterrar para abastecer.” A indústria aeronáutica não quis apoiá-lo e acabaria por ser um estaleiro naval a apostar no projeto. “Tivemos de nos voltar para alguém que não pensava ser impossível”, relata. Mas como iria voar durante a noite? A resposta era simples: seria preciso armazenar a energia solar acumulada durante o dia.

Solar Impulse, o maior avião alguma vez construído com tão pouco peso ficaria pronto em fevereiro de 2014 e descolaria um ano mais tarde. Graças aos muitos testes efetuados, completou a missão com sucesso: voou 42 mil kms em mais de 500 horas, com 17 escalas no total. Durante a aventura, estabeleceu 19 novos recordes oficias da aviação. Um deles foi o do voo ininterrupto mais longo: 118 horas entre Nagoya (Japão) e o Havai (EUA). O grande objetivo da viagem era promover as energias renováveis e demonstrar que as viagens sustentáveis de avião não são uma miragem.

“Quando estava no ar, lembro-me de olhar para o sol que mantinha os meus quatro motores a trabalhar e pensar: isto é ficção científica. Mas não, era apenas o que a tecnologia de hoje já me permitia fazer”, salientou. No seguimento desta aventura, fundou a Solar Impulse Foundation que, entre outros projetos, se tem dedicado a recolher as 1000 soluções empresariais mais sustentáveis e lucrativas, para alterar o paradigma de que precisamos de deixar de crescer economicamente de forma a proteger o ambiente.

Piccard deixa o desafio: “Identificar soluções existentes que podem ser comercializadas e implementadas agora. Mas têm de ser ecológicas e lucrativas ao longo de todo o ciclo”.

In Jornal de Negócios, 25 Jun 2021

O poder da luz

O poder da luz

Criativo por natureza e artista por formação, criou uma “fábrica de sonhos” – o Estúdio Roosegarde – para dar vida aos seus projetos. Daan Roosergaarde apresentou alguns dos seus projetos, de forma a comprovar que unir o belo, o útil e o sustentável não só é possível, como já está a ser feito. “A ciência é uma ferramenta excelente para tornar os sonhos realidade”, contou.

Van Gogh Path - Inspirado no quadro “A Noite Estrelada” de Van Gogh, esta ciclovia é composta por milhares de pequenas pedras que brilham no escuro, devido à energia solar que absorvem durante o dia. Esta obra faz parte do projeto Smart Highway, que consiste em construir estradas inteligentes, utilizando luz, energia e informação que interagem com as condições do tráfego.

Smog Free Project - O maior aspirador de poluição do mundo, é uma torre de sete metros de altura capaz de filtrar o ar em espaços públicos. Processa 30000 m3 por hora de ar, utilizando 1400 watts de potência.

Grow - A utilização da receita certa de luz azul, vermelha e ultravioleta pode reduzir para metade a utilização de pesticidas e estimular o crescimento das plantas. Numa plantação de alho francês com cerca de 20000 m2, quatro sistemas alimentados por energia solar projetam a luz horizontalmente provocando um belíssimo efeito. “A luz continua o trabalho do sol depois de escurecer”, explicou.

In Jornal de Negócios, 25 Jun 2021

A sustentabilidade é possível e lucrativa

A sustentabilidade é possível e lucrativa

Bertrand Piccard é um psiquiatra suíço, ambientalista e explorador. Neto de Auguste Antoine Piccard (1884-1962), que fez os primeiros voos de balão na estratosfera, e filho de Jacques Piccard (1922-2008), o primeiro a descer aos 10 mil metros de profundidade, seguiu o caminho dos antecessores e foi ainda mais longe: voou no balão Breitling Orbiter 3, a partir da Suíça, numa viagem sem escalas à volta ao mundo. Percorreu 45.755 km em 19 dias, 21 horas e 47 minutos. Mais tarde, a bordo de um avião movido apenas pela energia solar, fez igualmente uma viagem à volta do mundo (projeto Solar Impulse): voou 42 mil kms em mais de 500 horas, com 17 escalas no total. Fundou a Solar Impulse Foundation que, entre outros projetos, se tem dedicado a recolher as mil soluções empresariais mais sustentáveis e lucrativas, para alterar o paradigma de que precisamos de deixar de crescer economicamente de forma a proteger o ambiente.

Acredita num “crescimento qualitativo”, que cria empregos e é lucrativo, apenas substituindo o que polui pelo que protege o meio ambiente. Acha que é isso que os empresários e governos esperam ouvir, para trabalharem para a sustentabilidade do nosso planeta?

Sim, absolutamente. Muitas pessoas ainda acreditam que devemos decidir entre crescer economicamente e proteger o meio ambiente e que não podemos ter os dois ao mesmo tempo. Com a Solar Impulse Foundation quero demonstrar, com mais de 1000 tecnologias tangíveis e existentes, que o oposto é possível. Os nossos 1000 rótulos (Efficient Solutions Label) foram atribuídos a soluções que são benéficas para o meio ambiente e para a nossa qualidade de vida e, mais importante, são lucrativas para os produtores e para os consumidores. Eles provam que a divisão entre crescimento e proteção climática está obsoleta e precisa de ser reajustada.

A humanidade está acostumada a evoluir, mas também é conhecida por ter uma reação negativa à mudança. Por que será tão difícil agirmos de forma mais rápida e eficiente na construção de um mundo mais sustentável?

Sou psiquiatra por formação, por isso, preservar o meio ambiente interessa-me tanto quanto entender a tendência humana em destruí-lo. Enquanto poluir o planeta for mais barato do que preservá-lo, a humanidade continuará a fazê-lo. O ser humano não é propenso a preocupar-se com consequências que duram mais do que a sua existência. É exatamente aqui que o nosso trabalho entra. A proteção do meio ambiente e a mudança de comportamentos precisam de ser recompensadas: é preciso criar um certo benefício, um lucro. Quero provar aos indivíduos, às empresas e aos governos que isso é possível. Resumindo, estou a falar a linguagem do dinheiro e da criação de empregos, pois parece ser uma linguagem universal que todos parecem entender.

A Covid-19 (não esquecendo a tragédia que representa) foi o momento perfeito para assumir um compromisso sério sobre a transição energética?

Covid-19, por mais trágico que tenha sido para tantos entre nós, deu à humanidade um momento único para refletir, não apenas sobre a sua impotência diante de desastres naturais, mas principalmente sobre a sua relação com o planeta e como queremos salvaguardar essa relação para o futuro. Vivíamos numa uma economia frágil, ineficiente e injusta. O covid-19 permitiu-nos pressionar um botão para reiniciar. Os mil milhões que fluem para a recuperação económica devem ser usados ​​para substituir infraestruturas e processos antigos e poluentes, por outros mais limpos e eficientes. Esta é uma oportunidade única para levar a sério a transição ecológica.

Se são possíveis projetos tão disruptivos na aviação, tal como demonstrou com o projeto do avião movido a energia solar (Solar Impulse), qual é o futuro para a indústria automóvel, ou outro setor industrial? “O combustível é o limite”, como já teve oportunidade de afirmar?

As possibilidades, quer no setor automóvel, quer em outras indústrias, são muitas – basta olhar para o nosso portfólio de mais de 1000 soluções, e fica com uma ideia da enorme quantidade de oportunidades económicas que existem. Acredito que aquilo de que precisamos é de mais espírito pioneiro dos capitães da indústria, usando as novas soluções limpas que estão disponíveis. A Tesla, por exemplo, foi criada por um homem que não pensava em produzir carros com baterias, mas sim baterias sobre rodas. Isso foi inovador e precisamos de ver mais coisas assim. O mercado de hidrogénio, por exemplo, está a desenvolver-se a uma velocidade sem precedentes, e estou confiante de que em breve será o player dominante na indústria automobilística. A Airbus também já está a trabalhar num avião movido a hidrogénio para 2035. Estes são desenvolvimentos encorajadores.

Entretanto, já encontraram as 1000 soluções eficientes e sustentáveis. Qual é a próxima etapa? Existem soluções portuguesas?

O trabalho mais importante começa agora: precisamos garantir que elas sejam usadas. É por isso que pretendo ver o maior número possível de líderes empresariais e governantes e convencê-los de que seria absurdo não aproveitar as inúmeras oportunidades disponíveis. Temos algumas soluções de Portugal, como a City Boats Lisbon, por exemplo, que utiliza barcos solares para o transporte de turistas em pequenos cruzeiros no rio Tejo, em Lisboa, sem utilização de combustível. E o Kit Solar da BeOn, que permite que se liguem painéis solares diretamente a uma tomada doméstica, em residências particulares, sem custos adicionais de instalação. Estamos ativamente à procura de mais soluções, portanto, se um fornecedor de soluções em potencial ler isto - inscreva-se

Já teve oportunidade de falar sobre a sua relação com Andre Borschberg, e de como “precisa de trabalhar com pessoas que não pensam da mesma forma”. É comum ter essa perspetiva no meio empresarial?

Acho que é uma reflexão crucial a incorporar em qualquer empreendimento que envolva outras pessoas. Compreender o que motiva e impulsiona o outro é a chave para tornar a colaboração um sucesso. Se você souber a língua do outro e tentar falá-la, será muito mais convincente. Afinal, a única coisa nova que podemos aprender na vida vem de pessoas que pensam diferente de nós.

Tem falado sobre o enquadramento legal que nos permite poluir. Precisamos de melhor regulamentação?

Ao ritmo a que avança o processo científico e tecnológico, é possível pensar que as soluções “limpas” resolverão muitos dos desafios ambientais atuais. Mas a legislação não tem avançado ao mesmo ritmo e ainda permite poluir com impunidade. Embora acredite que a melhor motivação para as empresas são as novas oportunidades, a estrutura legal certa é essencial para nos empurrar a todos na mesma direção e na mesma velocidade. É por isso que os políticos deveriam entender melhor a tecnologia. Já agora, o antigo Comissário Europeu para a Inovação é candidato a Presidente da Câmara de Lisboa. Isso pode ser uma grande vantagem.

Acredito que, ao voar no Solar Impulse, teve tempo e oportunidade para refletir sobre tudo. Acha que, de vez em quando, todos deveríamos parar e refletir sobre o que estamos a fazer?

Sim, mencionei anteriormente que o COVID nos deu essa oportunidade trágica. Mas precisamos de fazer muito mais. É muito fácil continuar no caminho que sempre percorremos. É confortável. Se nos permitirmos pensar exatamente o oposto do que aprendemos, e desafiar todos os paradigmas que consideramos garantidos, é aqui que criamos espaço para inovação e abrimos caminho para algo novo.

Afirmou que "de vítima da poluição”, podemos tornar-nos “atores de mudança". Como podemos fazer isso? Como comunicar isso aos mais jovens, que serão os futuros CEOs das empresas já existentes e das que irão surgir?

Os futuros heróis não serão os que descobrem novos territórios, mas sim os que melhoram a qualidade de vida na Terra. Precisamos de encorajar os jovens a acreditar na nossa capacidade de enfrentar os problemas ambientais. Precisamos despertar o seu entusiasmo e incutir neles uma atitude positiva que nos tire da letargia. A próxima geração está cheia de energia. Tenho certeza de que eles podem transformar as sementes que estamos hoje a  plantar em algo de muito poderoso.

In Jornal de Negócios, 22 Jun 2021

Democratizar e descentralizar a energia solar

Democratizar e descentralizar a energia solar

Nos próximos anos iremos assistir a uma explosão do mercado da energia solar descentralizada. Miguel Fonseca, administrador da EDP Comercial fala dos desafios do presente e do futuro do setor.

A energia solar tem estado em crescimento na última década, mas apenas representa cerca de 3% da produção de energia em Portugal. Sendo Portugal um país de muito sol, a que se devem estes baixos números?

Se, no início da década passada, a energia solar centralizada registou alguma expansão, a verdade é que a falta de enquadramento regulatório acabou por estagnar o seu crescimento. Desde 2019, ano em que foram lançados pelo Governo os primeiros leilões para grandes centrais, voltámos a registar um crescimento significativo, com vários parques em desenvolvimento.

Em paralelo, o custo nivelado de produção de uma central fotovoltaica – valor do custo unitário de eletricidade ao longo da vida útil do ativo – caiu mais de 80% na última década, o que possibilitou que o solar já seja mais competitivo do que as centrais térmicas convencionais.

A conjugação destes dois fatores – a definição de enquadramento regulatório e a forte redução de custo – deverá levar a uma aceleração desta tecnologia na próxima década.

Relativamente à energia solar distribuída, com painéis instalados nas empresas e nas residências, tem havido uma expansão significativa desde 2015, altura em que foi criado o enquadramento regulatório para o autoconsumo dessa energia – só entre 2018 e 2020, a potência instalada duplicou. Mais uma vez, a redução do custo, assim como uma maior consciencialização ambiental dos cidadãos, ajudou a expandir o mercado. Com estes fatores, associados ao lançamento do conceito das comunidades solares de energia, assistiremos certamente a uma enorme aceleração da energia solar fotovoltaica em Portugal nos próximos anos.

O PNEC 2030 estabelece como objetivos que, em 2030, a energia solar represente cerca de 27% da produção de eletricidade e que a capacidade instalada aumente para os 9 GW (comparativamente com os 2 GW atuais). Como olha para estes objetivos? Parecem alcançáveis? 

O PNEC 2030 estabelece objetivos ambiciosos, mas alcançáveis. Já estão assegurados cerca de 2 GW de capacidade adicional, através dos leilões promovidos pelo Governo, e está também previsto um novo leilão ainda este ano. Para atingir o objetivo do PNEC, é necessário manter este ritmo de leilões de energia, com regras claras e com projetos com visibilidade a longo prazo, mas é também importante promover os designados “PPA Corporativos”, que são contratos bilaterais de longo-prazo entre um produtor de energia renovável e uma empresa que pretenda adquirir eletricidade verde. No último ano, registou-se um crescimento acelerado desta modalidade em Espanha, com a assinatura de cerca de 4 GW de contratos, e espera-se que Portugal também acompanhe esta tendência, tendo a EDP Comercial assinado recentemente dois PPA com empresas em Portugal.

Mas estas metas só serão possíveis de alcançar se houver uma democratização da energia solar, através do solar descentralizado em clientes residenciais e empresariais. Neste campo em particular, vemos cada vez mais uma enorme aceleração do ritmo de adoção pelos nossos clientes e parceiros.

Quais os principais desafios que este mercado enfrenta para conseguir alcançar estas metas?

Um dos principais desafios é o volume de investimento necessário. A associação europeia do setor Eurelectric estima que serão precisos 100 mil milhões de euros por ano, a nível da UE, para ser possível atingir a neutralidade carbónica em 2050. São metas que requerem que os países atraiam mais investimentos na transição energética, o que só será possível se conseguirem garantir aos investidores estabilidade de longo prazo, com legislação e regulamentação adequada, assim como contratos de energia com risco controlado.

Para além da atração de capital, outro ponto crítico é garantir a boa gestão de um sistema elétrico que integra mais de 80% de renováveis, como previsto no PNEC para 2030. Será necessário investir em infraestrutura de suporte e mecanismos de flexibilidade, incluindo redes inteligentes e baterias. A eletrificação de outros usos energéticos, como a mobilidade elétrica e bombas de calor, é também um importante facilitador da integração de renováveis.

Estas metas alcançam-se sobretudo através da descentralização da energia solar, através da adoção de painéis fotovoltaicos nas empresas e casas. Em que medida é que o investimento em painéis fotovoltaicos pode beneficiar as empresas e as famílias?

Sem dúvida que a democratização da energia solar será um vetor chave da transição energética nacional, uma vez que a implementação de painéis solares em cada vez mais casas e empresas será fundamental, tanto para a transição energética dos próprios consumidores, como para a resiliência do sistema. O PNEC 2030 inclui uma ambição de crescimento solar, dos quais 1.5 GW são solar descentralizado, o equivalente a 1.500 campos de futebol. Estes valores são alcançáveis e, pela nossa experiência, até excedíveis, já que noutros países o solar descentralizado chega a representar 20% de toda a nova capacidade solar instalada.

Hoje em dia, o investimento em painéis fotovoltaicos é extremamente competitivo e com taxas de retorno muito atrativas, quer para clientes empresariais, com um retorno ao fim de quatro a seis anos e uma taxa interna de retorno (TIR) de até 25%, quer para famílias.

Estas são taxas de retorno difíceis de igualar, porque permitem aos clientes recuperar o investimento em relativamente pouco tempo e beneficiar de energia grátis e renovável durante o resto da vida útil da instalação solar, que pode ir até 30 anos.

Por último, através das novas comunidades solares de energia, as empresas e famílias com espaço de telhado disponível para instalações solares também podem beneficiar de condições especiais, cedendo o espaço disponível do seu telhado para a criação de Bairros Solares EDP, que visam fornecer energia renovável aos vizinhos do mesmo bairro.

Em resumo, a descentralização tem um papel fundamental na entrega de poupanças às famílias e empresa e, de forma mais abrangente, na transição energética da sociedade.

Quais os maiores desafios que as empresas enfrentam para abraçar esta mudança?

Podem existir vários motivos pelos quais uma empresa tenha dúvidas na decisão sobre instalar painéis solares.

Em primeiro, porque existe desconhecimento sobre a oportunidade do ponto de vista económico, a par de nem sempre haver capacidade investimento e disponibilidade de financiamento. Para maximizar a rentabilidade do investimento numa central solar, é preciso encontrar o dimensionamento certo da instalação e construir um business case adaptado à realidade de cada cliente. Isto exige um estudo detalhado da radiação solar na zona, da eficiência do sistema a ser implementado e do perfil de consumo da empresa, para calcular o dimensionamento ótimo da instalação, maximizando o retorno da mesma. Um investimento numa central sub ou sobre dimensionada pode resultar numa poupança e retorno real inferior ao esperado. É, por isso, fundamental que as empresas sejam bem apoiadas na tomada de decisão.

Em segundo lugar, ainda há receio sobre a complexidade de gerir uma central fotovoltaica. Algumas empresas consideram que o trabalho associado à sua operação e manutenção para entregar a energia esperada pode impactar o foco no seu negócio principal, o que acaba por afastar alguns clientes desta decisão.

Por último, muitas empresas podem não ter o espaço suficiente, ou limitações legais de usufruto, para poderem instalar um parque com a dimensão ideal para as suas necessidades.  

Que soluções a EDP oferece para ajudar as empresas na transição para a energia solar?

Na EDP, temos tentado antecipar o que podem ser as barreiras dos clientes na adesão à energia solar descentralizada, procurando encontrar e desenvolver soluções que permitam às empresas ultrapassar estes desafios.

Temos uma equipa de engenharia equipada com as melhores ferramentas de mercado, que trabalha em conjunto com os nossos clientes, na construção de cada business case, de forma a garantir a rentabilidade prometida. Esta equipa personaliza a instalação fotovoltaica de acordo com as necessidades do cliente, apresentando um caso de negócio sobre o qual damos garantias de realização. É uma forma de colocarmos a serviços dos nossos clientes a nossa experiência acumulada nas renováveis.

Por outro lado, para ultrapassar a necessidade de financiamento para o investimento inicial, lançámos um modelo de negócio “As-a-Service”, onde a EDP assume 100% do investimento e se encarrega da operação e manutenção da central durante 15 anos. Neste modelo garantimos que o cliente, para além de não fazer nenhum investimento inicial, beneficia desde o primeiro mês de uma poupança de custos líquida – e toda a gestão da instalação solar é assegurada pela EDP.

Finalmente, para ultrapassar a falta de espaço disponível em muitas empresas, desenvolvemos as comunidades solares de energia, permitindo que beneficiem do espaço disponível em edifícios próximos para aceder à energia solar. Complementarmente, temos um leque de produtos, como os já mencionados “Corporate PPA” que asseguram contratos de fornecimento de energia de longo-prazo com origem renovável e permitem às empresas reforçar o seu compromisso com a sustentabilidade.

In Jornal de Negócios, 18 Jun 2021

Pensar, ser e fazer melhor para garantir o futuro

Pensar, ser e fazer melhor para garantir o futuro

Já não basta dizer que “um dia” teremos de começar a fazer as coisas de forma diferente. A mudança tem de ser operada já. A boa notícia é que, efetivamente, já há muitas alterações em marcha. Se, enquanto indivíduos, todos temos uma quota parte de responsabilidade, o mundo empresarial apresenta-se cada vez mais como motor de mudança, já que funciona a uma escala que influencia a economia e a sociedade, de uma forma que, dificilmente, apenas um indivíduo o fará. A não ser que seja alguém como o designer social holandês Daan Roosegaarde. Ouvi-lo falar é, só por si, uma experiência extraordinária. E essa será uma realidade para quem assistir à EDP Business Summit, um evento online a realizar-se esta tarde. Com Daan, compreendemos que o mundo da tecnologia e da preservação do ambiente pode facilmente andar de mãos dadas com o design, a criatividade e a fruição do belo. O seu entusiasmo e a paixão com que fala dos seus projetos faz com que seja muito fácil acreditar que um mundo melhor, menos poluído, mais cooperante e onde estamos todos mais ligados, não só é desejável, como possível. Para Daan, neste mundo hipertecnológico, a criatividade é o nosso verdadeiro capital e a tecnologia pode ser usada para explorar o papel social do design e ativar soluções para melhorar a vida em ambientes urbanos. São muitos os exemplos práticos da forma como coloca este bem valioso ao serviço da comunidade, e com que nos tem brindado ao longo das últimas duas décadas.

O futuro é cheio de luz

Um dos projetos pelo qual ficou conhecido é o Van Gogh Path (O caminho de Van Gogh), inspirado pelo quadro “Noite estrelada” daquele pintor holandês. Daan desenhou uma ciclovia feita de milhares de pedras cintilantes, que recebem luz solar durante o dia e emitem luz à noite. Com uma componente quase mágica, demonstra como se pode iluminar um caminho sem outra fonte que não a energia solar, incentivando (ainda mais) o uso da bicicleta como meio de transporte, e não apenas para lazer. Vencedor de diversos prémios, como “Melhor Conceito de Futuro”, “Prémio de Design Holandês”, “Prémio de Inovação da Accenture” e “Prémio INDEX da Dinamarca”, faz parte de um projeto mais abrangente designado por Smart Highway. Este pretende extrapolar o mesmo conceito, mas para autoestradas. A empresa de construção Heijmans e o atelier de Roosegaarde estão a trabalhar juntos no desenvolvimento destas tecnologias – ‘Glowing Lines’ e ‘Dynamic Paint’ – e já desenvolveram e testaram com sucesso dois protótipos, numa parceria com o município de Eindhoven. Espera-se que venham a ser disseminados por essas estradas fora.

Mas há outro conjunto de projetos com uma pertinência mais palpável, como as suas torres purificadoras de ar, com sete metros de altura. O Smog Free Project, como é designado, remove os poluentes do ar e já foi implementado nas cidades chinesas de Tianjin, Dalian e Pequim, em Roterdão, na Holanda, em Cracóvia, na Polónia, e no Parque Nacional Jirisan, em Pyeongchon-ri, na Coreia do Sul. De acordo com um estudo conduzido pela Universidade de Tecnologia de Eindhoven, na Holanda, estas torres reduzem em mais de 45% a presença de partículas poluentes no ar nos 20 metros de diâmetro à volta da estrutura. Curiosamente, as partículas recolhidas durante o processo são comprimidas e transformadas num anel, que é vendido para ajudar a suportar os custos do projeto.

Um espetáculo de luzes que simula a subida do nível das águas do mar nas cidades holandesas foi outro projeto de grande impacto. Mais do que chamar a atenção para o problema em si, quis criar uma experiência comum a todos os que assistiram, ajudando na construção deste futuro que se quer “limpo e bonito” ou “schoonheid” (uma palavra holandesa que Daan usa muito acerca do seu trabalho e que significa beleza e limpeza).

A solução está na terceira via

Daan Roosegaarden talvez ainda não conheça Bertrand Piccard, mas ambos usam a sua capacidade de ver o que não é palpável para trabalhar na transformação deste mundo. Ambos têm uma visão otimista da realidade e serão oradores na EDP Business Summit, já esta tarde, uma conferência digital com inscrições grátis.

Nascido no seio de família de exploradores científicos que conquistaram a estratosfera e o abismo, Bertrand Piccard entrou para a história ao dar uma volta num balão sem escalas (o mais longo voo de sempre em duração e distância) e ao realizar mais tarde a volta ao mundo num avião movido apenas pela energia solar (projeto Solar Impulse): voou 42 mil quilómetros em mais de 500 horas, com 17 escalas no total. Embora saiba que ainda não é possível replicar este feito num avião maior de transporte de pessoas e mercadorias, o seu objetivo era sobretudo mostrar que só é impossível o que ainda não foi feito e que as energias renováveis podem alimentar estes impossíveis. Piccard acredita que, mesmo para quem não aja em nome da sustentabilidade, a transição energética é o caminho mais lógico e financeiramente mais vantajoso. “Enquanto poluir o planeta for mais barato do que preservá-lo, a humanidade continuará a fazê-lo. Um ser humano não é propenso a preocupar-se com consequências que duram mais do que a sua existência. É exatamente aqui que o nosso trabalho entra. A proteção do meio ambiente e a mudança de comportamentos precisam de ser recompensadas, ter benefício, dar lucro”.

Fundador e presidente da Solar Impulse Foundation, procurou um conjunto de mil soluções eficientes para proteger o meio ambiente de uma forma lucrativa. Não se trata de ideias ou projetos embrionários, mas produtos ou serviços já no mercado ou em vias de o fazer, às quais não só confere o seu “selo de qualidade” (Efficient Solutions Label), como ajuda a promover. “Elas provam que a divisão entre crescimento e proteção climática está obsoleta e precisa de ser reajustada”, afirma.

E as soluções ambientalmente sustentáveis são muitas: “basta olhar para o nosso portfolio e ficamos com uma ideia do vasto número de oportunidades económicas que existem”. No entanto, alerta que “o trabalho mais importante é garantir que todas estas soluções sejam usadas. É por isso que pretendo ver o maior número possível de líderes empresariais e governantes e convencê-los de que seria absurdo não aproveitar as inúmeras oportunidades disponíveis”.

Para Bertrand Piccard, não há apenas a visão fatalista de parar o desenvolvimento para diminuirmos a nossa pegada ecológica, criando o caos social, nem a necessidade de continuar a poluir para garantir a nossa forma de vida. Há uma terceira via: a do crescimento qualitativo, que permite criar empregos e fazer dinheiro. Basta substituir o que polui pelo que protege o ambiente. Acredita que garantir a qualidade de vida é urgente, pelo que é preciso colocar a inovação e o pioneirismo ao serviço de todos. Bertrand Piccard é Embaixador da Boa Vontade das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Conselheiro Especial da Comissão Europeia. E deve ser ouvido. Assista hoje à tarde ao evento EDP Business Summit.

In Jornal de Negócios, 17 Jun 2021

Líderes a uma voz na transição energética

Líderes a uma voz na transição energética

Se estamos no caminho certo para cumprir os objetivos do Acordo de Paris de limitar o aumento da temperatura a 1,5ºC, é preciso acelerar os esforços. E porque a maior causa do aquecimento global é a quantidade de dióxido de carbono lançado para a atmosfera pela atividade humana, estas emissões devem ser severamente reduzidas, para prevenir mudanças climáticas catastróficas. “As emissões de carbono, que são o principal fator que contribui para o aquecimento global, constituem atualmente 60% da nossa pegada ecológica. E o setor elétrico é uma indústria-chave que os países estão a procurar descarbonizar”, reforça Michael Phelan, CEO, Co-Founder da GridBeyond e um dos oradores da EDP Business Summit 2021 – Leaders and Corporations committed to the Energy Transition, um evento digital com inscrição gratuita que decorre já esta tarde, com organização da EDP Comercial.

Cidades sustentáveis

A eletrificação da energia – depender cada vez menos de combustíveis fósseis e passar a depender de eletricidade limpa – é, efetivamente, um dos principais fatores que está a sustentar a mudança na matriz energética. Calcula-se que, em 2050, cerca de 70% da população mundial deverá viver em áreas urbanas e 50% do consumo total de energia final será de eletricidade. A grande questão, porém, não é apenas descobrir novas formas de produzir e consumir energia, mas massificar o seu consumo, conforme lembra António Coutinho, presidente da EDP Inovação. “Para, em 2050, chegarmos à neutralidade carbónica, grande parte das tecnologias, nomeadamente associadas à energia, são conhecidas. O grande desafio é escalarmos a sua adoção de forma muito generalizada e mudarmos a tecnologia.” É aqui que entra a inovação ao serviço da sustentabilidade. “Temos de ser inovadores a garantir que este processo é mais rápido, é mais fácil de ser adotado pelos clientes e que há modelos de negócio, que não sejam só a venda, que acelerem o processo de adoção”. Sanda Tuzlic, diretora executiva dos serviços de transição energética da Accenture – que estará igualmente presente no fórum da EDP– reforça a importância de se pensar no consumidor, seja empresa ou particular: “Estamos, como nunca, a ver clientes cada vez mais motivados pela sustentabilidade, e as empresas, no ecossistema de energia e não só, estão a sentir uma forte pressão para agir. Além disso, conforme as tecnologias sustentáveis ​​evoluem e amadurecem, os clientes serão cada vez mais motivados pelo próprio negócio: a sustentabilidade faz cada vez mais faz sentido, não só social e ecologicamente, mas também financeiramente.”

Mobilidade urbana elétrica

Uma área central e com elevado impacto da tendência para a eletrificação da energia é a da mobilidade elétrica e, nos principais mercados de energia, a eliminação progressiva dos motores de combustão interna a favor dos veículos elétricos tem sido apoiada por iniciativas de redução de emissões e criação de redes de mobilidade urbana. Para a EDP, a mobilidade elétrica é um pilar chave da sua estratégia de liderança da transição energética. “E abre a possibilidade de estarmos junto dos nossos clientes também em novos mercados da mobilidade (...) desde o momento em que pensam na aquisição de um veículo elétrico, até ao seu carregamento em casa, na empresa ou na via pública, e na forma como esta experiência deve estar integrada num ecossistema digital”, adianta Pedro Vinagre, administrador da EDP Comercial. E, segundo Roger Atkins, fundador da consultora ‘Electric Vehicles Outlook’, surgem cada vez mais argumentos a favor desta mudança, já que “a paridade de custos está a aproximar-se rapidamente para os veículos elétricos, em oposição aos veículos de combustão interna”. Acrescenta ainda que, sobretudo quando se trata de frotas comerciais, “estamos no ponto de inflexão para muitos, pois o Custo Total de Aquisição já está em paridade, ou até melhor posicionado”.

Maior exploração da energia solar

Calcula-se que, com a necessidade de se reduzir o consumo de energia primária e a consequente aposta na eficiência energética, com destaque para as energias de fonte renovável, a produção de energia solar será a tecnologia que apresentará um dos maiores crescimentos na próxima década. “Portugal é de facto dos países europeus com maior radiação solar e com um enorme potencial por explorar. Se, no início da década passada, a energia solar centralizada registou alguma expansão, a verdade é que a falta de enquadramento regulatório acabou por estagnar o seu crescimento”, quem o diz é Miguel Fonseca, administrador da EDP Comercial. Acredita, porém, que “a definição de enquadramento regulatório e a forte redução de custo deverão levar a uma aceleração desta tecnologia na próxima década”.

Reunião de vontades

Um estudo apresentado recentemente pela consultora Deloitte (Climate Pulse Survey 2021) revelou que a maioria dos líderes empresariais do mundo estão “preocupados” ou “muito preocupados” com as alterações climáticas, e consideram que é urgente agir. E muitos há que já o começaram a fazer e a revelar que se trata de uma aposta ganha, pois, à medida que os custos com a tecnologia diminuem e se alcançam ganhos adicionais de eficiência, os seus projetos empresariais tornam-se mais lucrativos e competitivos. Aqui reside a importância de reunir no mesmo espaço líderes e corporações de todo o mundo, para discutir os princípios e práticas vencedores, que estão efetivamente a acelerar a transição energética. Esta tarde, essa reunião será promovida pela EDP Comercial num fórum a realizar online e intitulado “EDP Business Summit 2021 – Leaders and Corporations committed to the Energy Transition”. A não perder. Faça já a sua inscrição gratuita para a assisitr ao evento.

In Jornal de Negócios, 17 Jun 2021

Transição energética: um desafio global

Transição energética: um desafio global

A transição e a flexibilidade energéticas serão alguns dos temas abordados no painel “Rethinking Power Systems: Understanding Energy Flexibility” da EDP Business Summit 2021 – Leaders and Corporations committed to the Energy Transition, um evento digital com inscrição gratuita que decorre no próximo dia 17 de junho e no qual Sanda Tuzlic irá participar. Com 15 anos de experiência no setor da energia, faz assessoria às empresas no contexto de transição energética, reforma de mercado e transformação digital. Aproveitámos a presença desta especialista no evento para conversarmos e perceber em que ponto estamos nesta transição, quais são os maiores obstáculos e como estão a ser transpostos.

Como é que os consumidores podem ser envolvidos na transição energética? Estão motivados para desempenhar um papel importante nesta transição? Quais são as principais barreiras para a adoção de soluções com emissões zero? Para os consumidores particulares e também para as grandes empresas.

Os clientes são o coração da transição energética e esta só poderá ter sucesso se todos estivermos envolvidos. Estamos, como nunca, a ver clientes cada vez mais motivados pela sustentabilidade, e as empresas, no ecossistema de energia e não só, estão a sentir uma forte pressão para agir. Além disso, conforme as tecnologias sustentáveis ​​evoluem e amadurecem, os clientes serão cada vez mais motivados pelo próprio negócio: a sustentabilidade faz cada vez mais faz sentido, não só social e ecologicamente, mas também financeiramente.

Como tal, o ímpeto crescente entre os consumidores oferece muitas oportunidades para uma maior participação. As tecnologias digitais e de energia comprovadas e emergentes, possuem um enorme potencial para oferecer aos consumidores novos serviços, melhores perceções e mais controlo. Essas oportunidades permitem que os clientes se envolvam pessoalmente e que tomem medidas concretas para ajudar a resolver os problemas climáticos urgentes.

No entanto, muitos consumidores (grandes e pequenos) ainda enfrentam muitos obstáculos para participar da transição energética. No estudo mais recente feito pela Accenture – New Energy Consumer Research – observámos quatro barreiras principais à adoção de soluções de energia com carbono zero:

Muitas opções: os clientes sentem-se sobrecarregados com a ampla gama de opções de isolamento residencial, sistemas de energia renovável ou um veículo elétrico, e desejam soluções simples e personalizadas. Em muitos casos, ainda não sabem ou não têm certeza sobre os benefícios para a sua carteira e conforto, bem como para o meio ambiente. Para ter sucesso, as soluções devem ser simples e claras.

Informações insuficientes: os clientes desejam uma visão melhor dos custos e benefícios reais das soluções de baixo carbono por parte de autoridades confiáveis. Também precisam de transparência sobre como os seus dados estão a ser usados, com quem são compartilhados e a capacidade de fazer as suas próprias escolhas.

Falta de opções de financiamento: fundamentalmente, os clientes precisam de soluções acessíveis e de baixo carbono – sejam Veículos elétricos, parques solares PV, baterias, bombas de calor ou gestão de energia –, o que requer melhores soluções de financiamento.

Incerteza sobre o uso de dados e privacidade: o papel crescente da tecnologia nas residências e empresas cria uma riqueza de dados com enorme potencial para envolver os consumidores na transição de energia e para adaptar novos serviços, mas esses benefícios precisam de ser equilibrados com a proteção da segurança e privacidade do indivíduo. Os fornecedores precisam de conquistar e manter a confiança dos clientes, para atendê-los de maneira eficaz.

Como é que os fornecedores de energia podem promover e incentivar a adoção de soluções de emissão zero?

O fornecedor de energia pode ajudar a superar as barreiras existentes, agindo como parceiro confiável. Para cumprir essa função, é necessário monitorizar o desenvolvimento da tecnologia, para fornecer aos consumidores as soluções mais eficazes e relevantes. As tecnologias digitais e de energia comprovadas e emergentes possuem um enorme potencial para oferecer aos consumidores novos serviços, melhores perceções e mais controle: os medidores inteligentes são apenas o começo. A proliferação de dispositivos conectados – incluindo eletrodomésticos, tecnologia móvel e de informática, bombas de calor e veículos elétricos – aumenta radicalmente o potencial de otimização da procura. As empresas de energia podem ajudar os consumidores a usar o poder da nova tecnologia para reduzir complicações e custos, aumentando o controlo e obtendo novas receitas, como por exemplo, da venda de sua própria eletricidade. Cada vez mais, o poder da tecnologia pode tornar os novos serviços de energia muito simples para os consumidores, mesmo que o funcionamento subjacente seja extremamente complexo. A resposta à procura é um exemplo disso. A complexidade tecnológica e organizacional de fornecer serviços de resposta à procura para o mercado de flexibilidade de eletricidade[1] é irrelevante para a maioria dos consumidores, desde que eles controlem e beneficiem desse impacto nas suas contas de energia. Os fornecedores de energia têm um papel crítico a desempenhar na conceção de serviços e ofertas fáceis de usar, confirmando uma experiência de procura-resposta simples e intuitiva.

Como superar a intermitência das energias renováveis?

A intermitência renovável está a levar a uma necessidade clara e crescente de flexibilidade no sistema elétrico europeu – com mais de €8 mil milhões de gastos no segmento de flexibilidade de energia europeu[2] em 2020. O setor está a ser desafiado a encontrar novas maneiras de combinar a oferta e a procura. Isso exigirá um uso mais amplo de soluções atuais comprovadas, bem como novas fontes de flexibilidade, como veículos elétricos, levando a um potencial muito maior de participação do lado da procura, para atender às necessidades de flexibilidade da rede.

Pensa que os países da União Europeia (UE) – e particularmente Portugal – estão no caminho certo para cumprir os ambiciosos objetivos fixados pela UE para 2050? Ainda há muito a ser feito?

A Europa está no centro da mudança com muitos mercados – como a Dinamarca, Portugal, a Irlanda, a Espanha, a Alemanha e o Reino Unido – já excedendo 20% de renováveis ​​variáveis ​​anuais no seu mix de geração. Em 2030, projeta-se que a Europa alcance 55% da parcela de energias renováveis ​​variáveis ​​e mais de 70% do total de energias renováveis ​​no seu mix de geração. As redes de transmissão e distribuição, assim como os mercados de energia, devem ser transformados para apoiar o aumento dos recursos variáveis, ​​através de uma maior interconexão da rede europeia, com mercados de equilíbrio conectados e harmonizados e a participação de recursos de energia distribuída nesses mercados.

Para alcançar a neutralidade carbónica, com 100% de produção de eletricidade renovável e emissões líquidas neutras, deve haver um sistema de energia integrado[3]. Isto implica a eletrificação em grande escala de edifícios, dos transportes e da indústria, o que exigirá um aumento de produção de eletricidade sem emissões. Para setores mais difíceis, como o transporte de mercadorias e indústrias pesadas, serão necessárias outras soluções além da eletricidade, como o hidrogénio. À medida que o sistema se torna cada vez mais integrado, a colaboração intersectorial das partes interessadas é fundamental para conduzir a níveis mais elevados de eficiência do sistema, ao mesmo tempo que coloca os consumidores no centro da transição energética.

In Jornal de Negócios, 15 Jun 2021

Energia renovável sem interrupções

Energia renovável sem interrupções

A transição energética é um processo longo numa corrida contra o tempo. A EDP tem todas as condições para liderá-lo e mobilizar outros agentes da sociedade. O compromisso da empresa com a sustentabilidade do planeta e as energias renováveis já vem de longe e traduz-se em ações concretas, como o encerramento da Central a carvão de Sines em janeiro deste ano e o investimento de 24 mil milhões de euros na transição energética até 2025.

De acordo com a Associação Portuguesa de Energias Renováveis, Portugal encontra-se em quinto lugar do top mundial da incorporação de energias renováveis na produção de eletricidade. No primeiro semestre de 2020, cerca de 59% da energia produzida no nosso país teve origem verde, contra 41% de origem fóssil. Entre as renováveis, a energia eólica e a hídrica merecem destaque, com 26% e 20% respetivamente.

Do lado do consumo, os números refletem também uma maior consciência ambiental e a perceção de que as soluções verdes são também economicamente sustentáveis. Dados do Observatório de Energia, do passado mês de abril, mostram que as energias renováveis representaram mais de 58% da energia consumida em Portugal.

“Mas as renováveis são não só voláteis, como também tendem a não ter os mesmos níveis de inércia que as centrais de carbono”, salienta Michael Phelan, CEO da GridBeyond – empresa líder em soluções de otimização de consumo energético e alvo de seis milhões de euros de investimento da EDP Comercial em 2020. As centrais a carvão, por exemplo, têm o que se chama de “inércia do sistema”. Isto significa que mesmo que uma central colapse, interrompendo a produção de energia, a energia existente nos grandes grupos geradores dará tempo à rede para reiniciar outra central, sem interromper a distribuição de energia. Mas serão as energias renováveis fiáveis o suficiente para assegurar o fornecimento de energia elétrica de forma segura e a baixo custo?

A EDP acredita que sim. É claro que o aumento da produção de energia a partir de fontes renováveis traz novos desafios para manter o equilíbrio do sistema. É necessário encontrar mecanismos que garantam essa estabilidade, de forma a assegurar que não há interrupções no fornecimento.

O armazenamento de energia, na forma de baterias comerciais, é uma das ferramentas críticas para conseguir este equilíbrio da rede, particularmente quando emparelhado com tecnologia Demand Side Response (DSR) para criar uma rede híbrida. Mas não é suficiente por si só.

“Para aumentar com segurança a integração das renováveis na rede, os operadores dependem das novas tecnologias, como as da GridBeyond, para monitorizar o equilíbrio entre procura e oferta e automatizar a redução ou o aumento do consumo de energia do lado da procura”, explica o cofundador da empresa. A aposta na GridBeyond faz parte da estratégia de expansão internacional da EDP Comercial e de liderança da transição energética. Estima-se que o mercado de serviços de sistema, por via da gestão da flexibilidade na carga dos clientes, atinja, a nível mundial, uma capacidade global acumulada acima dos 1.000 GW em 2040 – o equivalente a 46 vezes a atual capacidade instalada em Portugal.

Otimizar o consumo das empresas, rentabilizando-o

Sensibilizar as empresas para o seu papel na transição energética e na manutenção do equilíbrio da rede é crucial. Em 2020, 69% das instalações consumidoras intensivas de energia registadas no Sistema de Gestão dos Consumos Intensivos de Energia pertenciam ao setor da indústria, 27% ao dos serviços e 4% ao da agricultura e pescas. O primeiro passo será otimizar o seu consumo de energia, de forma a que possam utilizar mais energia quando a rede não está sobrecarregada e que abrandem essa utilização, quando a rede mais precisa.

“Muitos consumidores têm cargas flexíveis, cujo funcionamento pode ser ajustado em função das necessidades dos sistemas elétricos”, explica fonte oficial da EDP. As empresas reduzem ou aumentam o consumo energético das suas instalações quando recebem o pedido do operador da rede para o fazer, ajudando desde modo a rede a manter a sua estabilidade. Assim, o sistema torna-se mais estável e reduz-se a necessidade de reservas de gás e carvão quando as fontes renováveis estão intermitentes. Por outro lado, esses negócios tornam-se mais verdes e acedem a programas financeiros lucrativos, pois os operadores da rede pagam-lhes pela sua disponibilidade para suportar o equilíbrio da rede. e flexíveis nos mercados energéticos”.

Glossário

A GridBeyond, líder mundial em tecnologia inteligente para o mercado energético e parceira da EDP, esclarece os principais conceitos da transição energética.

Descarbonização

As emissões de carbono são o principal fator que contribui para o aquecimento global e atualmente constituem 60% da nossa pegada ecológica. O setor da eletricidade é uma indústria-chave que todos os países estão a tentar descarbonizar. A rede está a ficar cada vez mais verde e mais sustentável; mas as metas de descarbonização não podem ser atingidas sem investimento suficiente e políticas que impulsionem e encorajem o avanço tecnológico de todas as indústrias e setores da nossa economia.

Descentralização

Refere-se à redução da dependência de grandes centrais energéticas e à dispersão da produção por centrais mais pequenas. A energia descentralizada é aquela que é produzida perto de onde será utilizada, em vez de uma grande central, em que o transporte depois é feito através da rede. O principal benefício é a diluição dos riscos que provêm da volatilidade da geração das energias renováveis. Por outro lado, uma parte da energia perde-se durante o transporte; com a geração distribuída, o sistema torna-se mais eficiente, reduzindo as suas perdas.

Demand Side Response (DSR)

É um termo que abrange um tipo de serviço energético que os consumidores de eletricidade podem usar para manter a rede equilibrada. A DSR (cuja tradução é “Resposta do Lado da Procura”) oferece uma solução para o problema da intermitência das energias renováveis. Os grandes utilizadores de energia dos vários setores que decidem tirar partido de programas DSR ajudam os operadores de rede a atingir as metas de descarbonização, enquanto beneficiam de receitas adicionais e economizam custos energéticos.

Digitalização

O mercado energético está a passar por mudanças complexas. Como tal, exige uma gestão e monitorização efetivas através da aplicação de tecnologias de ponta em todas as áreas do sistema de eletricidade, desde a geração à transmissão, distribuição, oferta e procura. A total descarbonização da economia começa com soluções tecnológicas avançadas que ajudam a eliminar os combustíveis fósseis das redes energéticas. Isto só será possível quando a rede se digitalizar ao ponto de conseguir gerir níveis mais elevados de produção renovável e descentralizada, quando integrar tecnologias como os veículos elétricos e desbloquear a flexibilidade para equilibrar a procura e a oferta. A tecnologia é vital para garantir que a meta para 2050 definida pelo Acordo de Paris é atingida.

Estabilidade

As energias solar e eólica são altamente intermitentes devido às alterações meteorológicas. Isto cria problemas com o equilíbrio entre a oferta e a procura e altera a estabilidade da rede. Para aumentar com segurança a sua integração na rede, os operadores dependem das novas tecnologias, como as da GridBeyond, para monitorizar o equilíbrio entre procura e oferta e automatizar a redução ou o aumento do consumo de energia do lado da procura. O armazenamento de energia, na forma de baterias comerciais, também se tornou numa ferramenta crítica para o equilíbrio da rede.

Flexibilidade

No contexto da energia, é definida como a diferença entre a máxima ou a mínima quantidade de energia que um equipamento ou local pode consumir enquanto trabalha devidamente, sem qualquer impacto na sua integridade operacional. O papel das grandes empresas de indústria e comércio na economia descarbonizada é tornarem-se participantes ativos e flexíveis nos mercados energéticos, explorando as oportunidades do mercado e as tecnologias inteligentes.

Se quer conhecer mais sobre a transição energética e as oportunidades que a sua empresa pode ter nesta área, assista ao EDP Business Summit.,

In Jornal de Negócios, 14 Jun 2021

Quando o consumidor também é produtor

Quando o consumidor também é produtor

Em 2020, houve um forte crescimento de painéis solares para autoconsumo, assim como de automóveis elétricos que atingiram quase 14% do total de veículos vendidos em Portugal (uma das taxas mais elevadas da União Europeia). Segundo o Eurobarómetro de 2019, 87% dos portugueses consideram as alterações climáticas um problema muito sério (superior à média europeia, de 79%). Mas até que ponto essa preocupação se traduz em ações concretas no seu dia a dia?

É importante que haja uma consciência cada vez maior sobre as pequenas alterações que podem ser feitas nos nossos comportamentos e que podem até vir a beneficiar-nos economicamente. “Quando o mercado estiver preparado para introduzir a disponibilidade dos clientes, estaremos na linha da frente para que os nossos clientes possam beneficiar de receitas adicionais com a participação em serviços de sistema”, revela a EDP. “Nos clientes domésticos, também será possível ter cargas flexíveis e ser remunerado por isso. Com a mobilidade elétrica, estas oportunidades crescem. Todos os carros têm uma bateria e passam a maior parte do dia parados. A perspetiva de usar as baterias dos carros como instrumento de serviços de sistema será muito interessante”.

Este novo modelo energético aposta na descentralização. O consumidor – empresarial ou particular – é agora também um produtor de energia, ou um “prosumidor”. Tudo isto poderá significar que as centrais termoelétricas não precisarão de ser utilizadas para compensar o défice quando a geração de energia das fontes renováveis diminui ou quando a procura aumenta. Estas fontes evitam que se importem combustíveis fósseis, como o carvão e o gás natural, para gerar eletricidade, evitam a emissão de gases com efeito de estufa e reduzem o preço da energia elétrica no mercado de eletricidade, contribuindo para uma maior sustentabilidade económica e ambiental do país.

O caminho está traçado. Os objetivos são claros e as ferramentas, a pouco e pouco, vão sendo aperfeiçoadas e colocadas à disposição de cada vez mais operadores. A EDP quer ser um agente de mudança. Para além de uma estratégia clara de descarbonização da sua atividade de produção, está igualmente ao lado do consumidor final, oferecendo-lhe soluções inovadoras e ajudando-o a descarbonizar e a eletrificar a sua vida.

In Jornal de Negócios, 14 Jun 2021

Mobilidade: elétrica, partilhada e autónoma

Mobilidade: elétrica, partilhada e autónoma

Pedro Vinagre, administrador da EDP Comercial, revela as soluções que a empresa já tem à disposição dos seus clientes e qual o caminho a seguir para responder às necessidades crescentes do mercado.

De que forma as empresas do setor elétrico como a EDP podem potenciar a mobilidade elétrica?

O carregamento do veículo é uma componente fundamental da mobilidade elétrica e esse é o espaço mais natural para as empresas do sector energético, como a EDP – o de garantir uma experiência fácil e conveniente no processo de carregamento. Assim, este primeiro passo é essencial para que cada vez mais utilizadores se sintam confiantes nesta transição.

A mobilidade elétrica é um pilar chave da nossa estratégia de liderança da transição energética. Sabemos hoje que a mobilidade não será apenas elétrica, mas também partilhada e autónoma. E isto abre a possibilidade de estarmos junto dos nossos clientes também em novos mercados da mobilidade, que vão apoiar as várias fases da sua jornada, desde o momento em que pensam na aquisição de um veículo elétrico, até ao seu carregamento em casa, na empresa ou na via pública, e na forma como esta experiência deve estar integrada num ecossistema digital.

Particularmente no caso da eletrificação de frotas empresariais, o processo de transição deve ser planeado e toda a gestão da frota otimizada, em função das novas motorizações e fontes de energia. Para isso, a EDP Comercial presta aconselhamento sobre as soluções mais indicadas em função de cada negócio, dimensão e tipo de espaço.

Temos vindo a promover melhores práticas nesta frente, tendo participado num guia online para a eletrificação de frotas corporativas – Corporate EV Adoption Guide – desenvolvido pela WBCSD – World Business Council for Sustainable Development –, que pretende tornar-se numa ferramenta para os gestores de frota consultarem as diferentes etapas para eletrificar sua frota.

Como vê a EDP o estado da mobilidade elétrica em Portugal?

Acreditamos que os números das vendas de elétricos falam por si. Em 2020, cresceram 55%, em movimento contrário à queda de 40% nas vendas dos veículos a combustão. Este ano mantém-se a mesma tendência, com os veículos elétricos a manterem um crescimento de 38%, face ao período homólogo. Este crescimento tem também impulsionado todo o ecossistema da mobilidade: temos assistido a um crescimento consistente na rede pública de carregamento, que já conta com mais de 3.500 pontos de carregamento e terá atingido em abril o maior número de carregamentos de sempre.

A EDP Comercial tem assumido um compromisso crescente – em 2020, fomos o operador com maior crescimento orgânico, e acabámos de ultrapassar o objetivo definido para o final de 2021, de ter 1.000 pontos de carregamento contratados.

A pandemia alterou profundamente a forma como encaramos a mobilidade e nós assumimos a liderança na transição energética e na mobilidade elétrica como um meio para atingir a descarbonização do setor dos transportes e contribuir para uma mobilidade cada vez mais verde. Queremos que a mobilidade elétrica seja uma realidade para todos.

A falta de pontos de carregamento continua a ser apontada como um dos obstáculos à compra de veículos elétricos (sobretudo pelos particulares). De que forma pode a EDP potenciar o aparecimento de novos postos de carregamento?

Apesar de essa lacuna ser muitas vezes identificada (i.e., o número insuficiente de pontos de carregamento na rede pública), atualmente 75% dos carregamentos realizam-se em localizações privadas – em casa ou no trabalho –, com uma situação muito mais próxima da forma como carregamos o nosso telemóvel, quando não o estamos a utilizar e carregamos durante a noite.

No entanto, ainda existe de facto espaço para a rede pública em Portugal crescer, acompanhando as métricas de referência da Europa, já que contamos atualmente com um rácio de 21 veículos por ponto de carregamento, fazendo de Portugal um dos países da Europa que mais terá que investir para chegar aos 20 mil pontos até 2025 e 40 mil em 2030.

Adicionalmente, sabemos que o crescimento no carregamento público tem de acompanhar as vendas dos veículos, à medida que a mobilidade elétrica é adotada por mais utilizadores, muitos deles sem garagem. Em dez anos, estimamos que 40% a 50% da energia dos veículos elétricos será fornecida por carregadores públicos.

Para além de estar a desenvolver soluções de carregamento em casa e no trabalho, cada vez mais completas e digitais, temos procurado também aumentar significativamente a rede pública. E esse compromisso é claro na nossa estratégia.

São exemplos as mais recentes parcerias anunciadas com o Grupo Ibersol, para a instalação de 90 pontos de carregamento em restaurantes do Burger King e KFC, e com a McDonald’s, para a instalação de 150 pontos em restaurantes da marca. E, em abril, inaugurámos na A1 o primeiro carregador ultrarrápido da EDP Comercial, numa parceria com a Brisa, BP e Repsol para a instalação de 48 pontos de carregamento rápidos e ultrarrápidos nas principais autoestradas nacionais.

Neste momento, esse trabalho está a ser feito em parceria com os vossos clientes ou também com o Estado central e autarquias? Quais as principais ações e metas que se propõem atingir neste campo?

O ecossistema da mobilidade elétrica e do carregamento público não será potenciado sem uma estreita colaboração entre entidades privadas e públicas. Não é possível resolver os desafios que enfrentamos hoje sem o esforço de todos. A expansão da rede pública precisa do envolvimento de várias entidades – desde empresas com localizações estratégias, a autarquias, passando obviamente por empresas como a EDP. A identificação de novas localizações para o crescimento da rede é crucial e os municípios podem desempenhar um papel ativo neste processo, já que sabem as necessidades específicas dos seus cidadãos.

A EDP já opera pontos de carregamento em cerca de 90 municípios, garantindo assim uma dispersão geográfica de opções de carregamento pelo território nacional. Inaugurámos já em 2021 o primeiro hub de carregamento num município, na Maia, e mais recentemente entraram em operação nove pontos de carregamento rápidos no Porto.

Estão a desenvolver trabalho, ao nível de I&D colaborativo para melhorar as características das infraestruturas de carregamento, nomeadamente tempos de carregamento mais rápidos?

Procuramos dotar o mercado de soluções que deem resposta às diferentes necessidades de utilização, que podem ser de carregamento mais lento, até ao carregamento ultrarrápido.

O carregamento em casa e no trabalho é tipicamente lento, realizado enquanto o carro está parado. E, em média, um carro na Europa está 95% do tempo parado – e é nesse tempo que o carro deve carregar, seja em casa, na via pública, no supermercado ou num restaurante.

Já em viagens mais longas, o tempo de carregamento pode ser um fator mais crítico e, nestes casos, a solução que temos preconizado são os carregadores mais rápidos nas áreas de serviço e, recentemente, os ultrarrápidos nas autoestradas, para minimizar o tempo de espera.

Procurando facilitar o planeamento das viagens e apostando na melhoria e digitalização da experiência do cliente, a EDP disponibiliza o acesso a todos os postos da rede pública, tarifário e disponibilidade do posto, através da sua App EDP EV.Charge.

O carregamento dos veículos no local de emprego continua a ser uma solução para muitos utilizadores de veículos elétricos ou híbridos?

É importante que as empresas garantam aos seus colaboradores soluções de carregamento nas suas instalações, acompanhando a preocupação ambiental e motivando a transição de cada vez mais condutores. O que tipicamente acontece é que os clientes empresariais aderem a soluções de carregamento quando a sua própria frota já começou o processo de transição. Aí, um gestor de frota espera ter uma solução de carregamento integrada, com uma componente digital que permita à empresa fazer a gestão dos seus carregadores e carregamentos. É precisamente isso que oferecemos com a solução EDP EV.Charge, uma app que lhe permite conhecer com detalhe toda a informação sobre os carregamentos, gerir acessos, definir tarifas, entre outras funcionalidades.

Para além do portefólio robusto de soluções para frotas elétricas com diferentes níveis de customização e possibilidade de modalidade as a service, sem investimento inicial, estamos também a trabalhar no desenvolvimento de novas funcionalidades para empresas, como a gestão inteligente de cargas (smart charging), para permitir que mais veículos sejam carregados em edifícios com potência instalada limitada, ou como a capacidade de reembolsar os custos que os colaboradores tenham com carregamentos realizados em sua casa ou na rede pública.

Clientes como a McDonalds são o exemplo da maior procura deste tipo de soluções por parte do tecido empresarial português?

Parceiros como a McDonald’s procuram dar soluções convenientes aos seus clientes que, agora, têm melhores opções para se deslocarem num carro elétrico e usufruírem de uma refeição com a sua família, enquanto o veículo carrega. Nos pontos que estamos a instalar de norte a sul do país, e também nas ilhas, será possível carregar o equivalente a 100 quilómetros em apenas 20 minutos. O cliente pode recarregar a sua bateria enquanto almoça ou janta, o que lhe dá mais conforto no uso de um veículo elétrico.

Um estudo da EY e da Eurelectric divulgado no início do ano, mostra que a eletrificação das frotas (públicas e privadas) poderia representar um corte de 50% nas emissões de CO2 na Europa. Que iniciativas estão a ser desenvolvidas pela EDP nesta área? Uma vez concluídas, o que representarão quer em termos de poupança para a empresa como ao nível das emissões?

A eletrificação de frotas é um vetor essencial da nossa estratégia, porque a eletrificação é a forma mais eficiente de descarbonizar o sector dos transportes, que é ainda responsável por cerca de 25% das emissões de CO2 a nível europeu. São precisamente as frotas corporativas que têm um especial papel nesta fase, por serem as que primeiro estão a garantir essa transição, já que representam cerca de 20% do parque automóvel, mas mais de 40% dos quilómetros percorridos e contribuem para cerca de metade das emissões do transporte rodoviário. Em Portugal, as viagens de carro representaram mais de 88% dos quilómetros percorridos em veículos de passageiros, acima da média europeia.

Eletrificar estas frotas significa planear. Nem todas as frotas são iguais e nem todos os veículos de uma frota são eletrificáveis. Por isso, é muito importante a presença da EDP junto das empresas, prestando aconselhamento e dimensionamento da oportunidade, e não apenas como mero fornecedor de equipamentos ou de serviços de operação e manutenção de pontos de carregamento. Partilhando também a experiência de eletrificação da nossa própria frota de ligeiros, que pretendemos que seja 100% elétrica até 2030.

Em conjunto com os principais atores do setor automóvel – marcas automóveis e locadoras –, apresentamos soluções de carregamento integradas no momento da compra do veículo elétrico.

A seu ver, quais os principais problemas com que ainda se depara a mobilidade elétrica?

Precisamos de ter maior enquadramento para o desenvolvimento da mobilidade elétrica, alinhado com os objetivos públicos de neutralidade carbónica em 2050, bem como um enquadramento regulatório inclusivo, adequado à fase atual do carregamento público, e que garanta uma competição justa para o desenvolvimento das atividades dos vários agentes. Essa regulamentação deve também orientar a participação dos agentes públicos e privados na adoção da mobilidade elétrica. É, por isso, importante que se conheça de que forma vai evoluir o modelo MOBI.E e que essas mudanças sejam definidas com a colaboração dos agentes de mercado.

É também preciso fazer mais e melhor na infraestrutura de carregamento. Faltam mecanismos de incentivo ao investimento fora dos grandes centros urbanos, onde ainda não é rentável investir, mas que são importantes para satisfazer as necessidades dos utilizadores.

Paralelamente, é também fundamental que os processos de certificação e licenciamento de novos postos de carregamento sejam mais céleres, para otimizar a resposta por parte dos operadores à crescente procura do mercado.

In Jornal de Negócios, 10 Jun 2021

O futuro da mobilidade é elétrico, mais barato e mais sustentável

O futuro da mobilidade é elétrico, mais barato e mais sustentável

O objetivo é claro e ficou definido no Pacto Ecológico Europeu de 2019: em 2050, a Europa terá de atingir a neutralidade carbónica. O setor dos transportes – que representa 25% das emissões de gases com efeito de estufa à escala global – tem um papel determinante para alcançar esta meta, o que dá um cada vez maior destaque à mobilidade elétrica. Dos 10,8 milhões de veículos elétricos existentes no mundo, um pouco mais de dois milhões circulam pelas estradas europeias. Após uma década de rápido crescimento, em 2020, o stock global de carros elétricos atingiu a marca de 10 milhões, um aumento de 43% em relação a 2019, atingindo 1% do parque automóvel. A Europa alcançou assim a posição de líder global no crescimento de vendas, ultrapassando a China pela primeira vez, embora esta se mantenha líder de mercado.

Em apenas um ano, a Europa registou, de acordo com a Federação Europeia para o Transporte e Ambiente (T&E), 1.365.000 novas matrículas (1.045.000 das quais nos países da União Europeia), de veículos elétricos e híbridos plug in. Por trás desta evolução estão as novas normas europeias, que obrigam os fabricantes de automóveis a reduzir a média global das emissões para 95gCo2/Km no biénio 2020/2021 e o impacto da pandemia, que levou vários países europeus a incluir os incentivos financeiros à compra de carros elétricos nos seus planos de retoma económica.

Em Portugal – que não só não aumentou o valor dos incentivos à compra, como acabou com os estímulos na aquisição de veículos híbridos com autonomia em modo elétrico até 50 quilómetros e com um nível de emissões inferior a 50gCO2/km –, as vendas de carros elétricos continuam a aumentar. De acordo com a Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos (UVE), em 2020, o segmento dos elétricos cresceu 55,3% alcançando uma quota de mercado de 13,6%. Já este ano, foram vendidos 2.351 veículos elétricos entre janeiro e abril.

Uma questão de eficiência

“Da energia produzida por um motor térmico, 70 a 80% é desperdiçada. ‘Serve’ apenas para aquecer o ambiente. Já um motor elétrico ‘foleiro’ tem 70% de eficiência e um razoavelmente bom tem mais de 90%, ou seja, aproveitamos quase toda a energia que lhe damos”, explica Mário Alves, Professor no ISEP/ Politécnico do Porto e especialista na área da mobilidade elétrica, pondo a nu a eficiência da motorização elétrica e o potencial poluidor dos motores convencionais. Algo para o que a maioria da população está, cada vez mais, sensibilizada.

“A pandemia alterou profundamente a forma como encaramos a mobilidade e nós, na EDP, assumimos a liderança na transição energética e na mobilidade elétrica como um meio para atingir a descarbonização do setor dos transportes e contribuir para uma mobilidade cada vez mais verde”, afirma por seu turno Pedro Vinagre, administrador da EDP Comercial e um dos oradores do painel sobre mobilidade elétrica no próximo EDP Business Summit, a realizar-se a 17 de junho.

O futuro da mobilidade elétrica

“O custo, o alcance e a infraestrutura de carregamento” são alguns dos argumentos utilizados na resistência à adesão à mobilidade elétrica, segundo Roger Atkins, fundador da consultora 'Electric Vehicles Outlook' outro dos oradores do evento onde se vai discutir a importância da transição energética para a sociedade e para as empresas. Para uma massificação da mobilidade elétrica, é necessário ultrapassar algumas destas limitações, nomeadamente os problemas associados às atuais baterias de lítio, a necessidade de maior autonomia e a rapidez de carregamento.  Mas é precisamente nas baterias que algumas vantagens se têm vindo a revelar. “A paridade de custos está a aproximar-se rapidamente para os veículos elétricos, em oposição aos veículos de combustão interna, especialmente no que diz respeito à bateria e conforme, os volumes de vendas aumentam, as economias de escala reduzirão o preço geral do veículo”, afirma Roger Atkins. Acrescenta ainda que, sobretudo quando se trata de frotas comerciais, “. Estamos no ponto de inflexão para muitos, pois o Custo Total de Aquisição (CTA) já está em paridade, ou até melhor posicionado”. Desta forma, será cada vez mais fácil argumentar a favor da aquisição de um veículo elétrico.

Um argumento reforçado no Anual Car Cost Index 2020, realizado pela LeasePlan e que tem como base dados de 18 países europeus. Foram tidos em conta os custos associados ao combustível, desvalorização, impostos, seguro e manutenção da média dos primeiros quatro anos do veículo, presumindo-se uma quilometragem anual de 30.000 km. Concluiu-se que, na maioria dos países, no segmento médio familiar, já é mais barato ter um veículo elétrico do que um carro a gasóleo ou a gasolina. Em Portugal, esse valor atinge os 100 euros de diferença.

Respostas no mercado

Se o custo já não deve ser colocado em causa, a falta de infraestruturas de carregamento também não. Petar Georgiev, especialista em mobilidade elétrica da Eurelectric (Associação das Empresas Elétricas Europeias), acredita que este se resolverá com o funcionamento do mercado. “Neste momento, a autonomia destes veículos ainda não é grande, mas, se houver mais veículos elétricos a circular, os pontos de carregamento terão mais utilização e a sua instalação será mais barata”, assegura.

De acordo com o relatório da T&E, existem atualmente 225 mil pontos de carregamento na União Europeia (EU), 60 mil dos quais foram instalados no ano passado, sendo que 75% dos pontos existentes estão concentrados em apenas quatro países (Holanda, Alemanha, França e o Reino Unido). À escala global, existem atualmente 9,5 milhões de pontos de carregamento privados, sete milhões dos quais instalados em residências. Os cenários mais otimistas (e ambiciosos) apontam para que, em 2030 - em menos de uma década -, este número suba para os 190 milhões (140 em meio residencial e os restantes nos locais de emprego).

A nível europeu, a Comissão Europeia estima que, em 2030, sejam necessários três milhões de pontos de carregamento público para 40 milhões de veículos elétricos, o que representa um aumento de 13 vezes, face aos valores atuais. 

Também para o fundador da 'Electric Vehicles Outlook', o carregamento privado irá progredir e os modelos de partilha farão aumentar essa tendência, à semelhança do que aconteceu no setor de aluguer de imóveis com o Airbnb. “Os tempos e as taxas de carregamento ideais irão gerir os desafios da rede. Acredito que o aumento do teletrabalho ajudará nisso”. Acrescenta que “o carregamento público trará inovação real – como troca de baterias e carregamento sem fios de alta potência. Ambas as soluções são relativamente incipientes – mas mostram uma grande promessa.”

Rede pública elétrica em expansão

“O carregamento do veículo é uma componente fundamental da mobilidade elétrica e esse é o espaço mais natural para as empresas do setor energético, como a EDP – o de garantir uma experiência fácil e conveniente no processo de carregamento. Este primeiro passo é essencial para que cada vez mais utilizadores se sintam confiantes nesta transição” assume Pedro Vinagre, administrador da EDP Comercial, que defende que existe espaço para a rede pública crescer em Portugal. “Atualmente, contamos com um rácio de 21 veículos por ponto de carregamento, fazendo de Portugal um dos países da Europa que mais terá que investir para chegar aos 20 mil pontos até 2025 e 40 mil em 2030”, alerta, estimando que, em dez anos, 40% a 50% da energia dos veículos elétricos seja fornecida por carregadores públicos.

Com isso em mente, a EDP Comercial tem desenvolvido soluções de carregamento para usar em ambiente doméstico (moradias e condomínios) e corporativo e procurado também aumentar a rede pública. Para tal, foi feita uma aposta em parcerias com clientes como a Brisa, BP e Repsol, para a instalação de 48 pontos de carregamento rápidos e ultrarrápidos nas principais autoestradas portuguesas, ou com a McDonald’s, para a instalação de 150 pontos de carregamento em restaurantes da marca de norte a sul do país, e também nas ilhas. Em apenas 20 minutos, enquanto se almoça, será possível carregar a bateria para percorrer mais 100 quilómetros.

A identificação de novas localizações para a expansão da rede pública é crucial “e os municípios podem desempenhar um papel ativo neste processo, já que sabem as necessidades específicas dos seus cidadãos”, afirma Pedro Vinagre.

In Jornal de Negócios, 09 Jun 2021

O potencial das frotas

O potencial das frotas

Para Roger Atkins, fundador da consultora 'Electric Vehicles Outlook', nos próximos cinco anos, a evolução das soluções em mobilidade elétrica será “rápida para frotas de veículos comerciais, como autocarros, táxis e veículos pesados de mercadorias”.  E este é o caminho desejável, se pretendermos trabalhar para a neutralidade carbónica.

Um estudo da EY e da Eurelectric divulgado em fevereiro mostrou que a eletrificação das frotas (públicas e privadas) poderia representar um corte de 50% nas emissões de CO2 na Europa, no que seria uma solução win-win para o clima e para os proprietários das frotas. É que, apesar de representarem apenas 20% do parque automóvel do continente, estes veículos são responsáveis por 40% dos quilómetros percorridos e por 50% das emissões. De acordo com o relatório, o número de veículos elétricos nas frotas europeias não ultrapassa os 420 mil, número que deve subir para os 10,5 milhões de veículos elétricos até 2030.

Mais uma vez, serão as novas regulamentações e a aposta em incentivos fiscais as vias utilizadas para estimular o processo. Neste momento, são mais de 300 as cidades europeias com zonas de baixas emissões e zero emissões, no que é uma forma de pressão para que as empresas que atuam naquelas áreas eletrifiquem as suas frotas.

“A eletrificação é a forma mais eficiente de descarbonizar o setor dos transportes, que é ainda responsável por cerca de 25% das emissões de CO2 a nível europeu”, afirma Pedro Vinagre, administrador da EDP Comercial, que assume que a eletrificação de frotas é um vetor essencial da estratégia da empresa. O trabalho é feito junto das empresas ao nível do aconselhamento e dimensionamento de oportunidades, onde é partilhada a experiência de eletrificação da própria frota de ligeiros da EDP, que se pretende totalmente elétrica até 2030.

À boleia da eletrificação das frotas surge a aposta em soluções de carregamento para os trabalhadores das empresas. O que tipicamente acontece é que os clientes empresariais aderem a soluções de carregamento quando a sua própria frota já começou o processo de transição. Aí, o gestor espera ter uma solução de carregamento integrada, com uma componente digital que permita à empresa fazer a gestão dos seus carregadores e carregamentos”, relata Pedro Vinagre, como é o caso da app EDP EV Charge. Atenta a este mercado, a EDP Comercial está a apostar no desenvolvimento de novas funcionalidades para as empresas, como a gestão inteligente de cargas (smart charging), que permitirá que mais veículos sejam carregados em edifícios com potência instalada limitada.

Transformar a forma como nos movemos

Este é o ponto de partida do terceiro painel do “EDP Business Summit 2021 – Leaders and Corporations committed to the Energy Transition”, a decorrer no próximo dia 17 de junho. Trata-se de um evento digital que vai reunir decisores e empresas de vários países para partilhar e discutir princípios e práticas para acelerar a transição energética das empresas, para imaginar novas soluções, para assumir e incentivar a mudança.

Um dos oradores presentes neste painel é Roger Atkins, fundador da consultora 'Electric Vehicles Outlook', um dos maiores embaixadores da mobilidade elétrica, com 30 anos de experiência no setor automóvel e 15 no setor híbrido e elétrico. Jan Burdinski, diretor Executivo e líder das relações governamentais europeias na Hyundai Motor Company, onde é responsável pelas relações governamentais e comunicação corporativa para as marcas Gyundai e Kia, será outro dos oradores. A eles juntam-se Koen Noyens, CEO da EVBox, empresa de referência no setor das infraestruturas de carregamento de veículos elétricos, e Pedro Vinagre, administrador da EDP Comercial.

In Jornal de Negócios, 09 Jun 2021

Benfica rumo à segunda expansão solar

Benfica rumo à segunda expansão solar

O investimento realizado em 2019 pelo Benfica, em parceria com a EDP Comercial, estimava uma produção anual superior a 447 Megawatt-hora (MWh) e uma poupança anual de cerca de 52 mil euros. Dois anos depois, todas as expetativas foram ultrapassadas. “Atualmente, a poupança é superior ao estimado inicialmente”, revela João Vinagre, Diretor de Operações do Sport Lisboa e Benfica, ao Jornal de Negócios. A iniciativa permitiu ao Benfica produzir 847,6 MWh entre abril de 2020 e o mesmo mês de 2021, o que se traduziu numa poupança de quase 60 mil euros neste período.

Com este investimento, os encarnados conseguiram reduzir em 13% o consumo de energia à rede. O sucesso desta primeira operação ditou o início da segunda fase da expansão solar, cujo objetivo é “quase deixar de fazer consumos à rede durante o dia”, explica o responsável do clube da Luz. “Não queremos ficar autossuficientes, mas queremos que o consumo à rede, durante o dia, seja de apenas 10%”.

A segunda fase da expansão deverá estar concluída e em funcionamento até ao final de agosto. Ao todo, serão adicionados mais 650 painéis solares no Campus Benfica, o que aumentará a capacidade total de produção de energia solar para 1125 MWh por ano, numa poupança estimada 79 mil euros.

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In Jornal de Negócios, 08 Jun 2021

Geração distribuída: o solar quando nasce é para todos

Geração distribuída: o solar quando nasce é para todos

Os compromissos assumidos por Portugal sobre as alterações climáticas, no âmbito do Acordo de Paris – no qual foi estabelecido um acordo mundial para limitar o aquecimento global a menos de 2 °C em 2100 e o aumento da temperatura a 1,5° –, requerem uma profunda transformação de toda a economia e, em particular, do setor da energia, que deve evoluir para um novo modelo totalmente descarbonizado. Este processo de transição, proposto no Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050, que se traduz de forma prática e a médio prazo no Plano Nacional Energia e Clima 2030 (PNEC 2030), foca-se na redução do consumo de energia primária e aposta na eficiência energética, com destaque para as energias de fonte renovável. Estas devem, em 2030, contribuir com, pelo menos, 80% da produção de energia em Portugal, dos quais 27% devem provir da energia solar, que será a tecnologia que apresentará maior crescimento na próxima década.

Estas previsões ainda estão longe do cenário atual. Apesar de o sol não faltar em terras lusas, em abril de 2021 a energia solar apenas representava 3,3% de toda a energia produzida em Portugal, de acordo com dados da Associação de Energias Renováveis, e contava com 1.068 gigawatts (GW) de capacidade fotovoltaica instalada, segundo as estatísticas da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG). Esta foi, aliás, a tecnologia de energia renovável que mais cresceu, em termos relativos, desde 2012, ano em que tinha apenas 244 megawatts (MW) de potência instalada.

Investimento com taxas de retorno atrativas

Estes números, apesar de positivos, estão ainda longe das ambições do PNEC 2030 que, para 2030, traça um objetivo de 9 GW de potência instalada.

Para alcançar estas metas e aumentar a capacidade instalada de energia solar, o Governo desenvolveu, em 2019 e 2020, dois sistemas de leilão de licenças para a produção desta energia renovável, mas conta também com o aumento da produção descentralizada do solar fotovoltaico, que dentro de uma década já deve representar 2 GW de potência instalada, contra os 0,5 GW atuais.

Na prática, isto significa que, em Portugal, o solar descentralizado deve crescer o equivalente a 1500 campos de futebol. “Estes valores são alcançáveis e, pela nossa experiência, até excedíveis, já que noutros países o solar descentralizado chega a representar 20% de toda a nova capacidade solar instalada”, revela Miguel Fonseca, administrador da EDP Comercial. Até porque, segundo explica o responsável, trata-se de um investimento extremamente competitivo e com “taxas de retorno muito atrativas, quer para clientes empresariais, com um retorno ao fim de quatro a seis anos e uma taxa interna de retorno (TIR) de até 25%, quer para famílias”.

Esta democratização da energia solar será um vetor-chave da transição energética nacional e assumirá, assim, um papel de destaque no caminho da descarbonização da sociedade.

Desde 2015 que este segmento está em expansão, impulsionado pelo enquadramento regulatório para o autoconsumo. Só entre 2018 e 2020, a potência instalada duplicou, impulsionada pela “redução do custo, assim como uma maior consciencialização ambiental dos cidadãos”, prossegue o responsável. Estes fatores, associados ao lançamento do conceito das comunidades solares de energia, contribuirão para “uma enorme aceleração da energia solar fotovoltaica em Portugal nos próximos anos”.

Desafio: locais de produção

A falta de espaço para a instalação de painéis solares é frequentemente indicada como um dos maiores entraves à expansão do solar distribuído.

Para colmatar esta lacuna, a EDP desenvolveu comunidades solares de energia, um projeto que permite que “empresas e famílias com espaço disponível para instalações solares possam beneficiar de condições especiais, cedendo o espaço disponível do seu telhado para a criação de Bairros Solares EDP, que visam fornecer energia renovável aos vizinhos do mesmo bairro”, explica o administrador da EDP Comercial. Desta forma, todos beneficiam de energia solar com descontos na fatura e contribuem para um mundo mais sustentável.

Energia para o negócio

Para o tecido empresarial, a aposta no autoconsumo permite obter poupanças visíveis. Se o consumo de energia representa entre 15 e 40% dos custos fixos de uma empresa, o investimento em painéis solares pode significar uma redução que pode chegar aos 25% desta fatura. “Na EDP, tentamos antecipar o que podem ser as barreiras dos clientes na adesão à energia solar descentralizada, procurando encontrar e desenvolver soluções que permitam às empresas ultrapassarem estes desafios”, afirma Miguel Fonseca, administrador da EDP Comercial. Para ajudar as empresas na transição solar, a EDP disponibiliza as seguintes soluções:

  • Serviço de instalação fotovoltaica personalizado, à medida de cada cliente;
  • Modelo “As-a-service”, em que a EDP assume o investimento da instalação;
  • Bairros Solares, que aproveitam espaço disponível em edifícios próximos;
  • PPA Corporativos, contratos bilaterais de longo prazo entre a produtora de energia renovável e uma empresa que pretenda adquirir eletricidade verde.

In Jornal de Negócios, 07 Jun 2021