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Entrevista

EDP quer acelerar energia solar e mobilidade elétrica nas empresas

A transição verde não só é necessária, como é possível com benefícios económicos, ambientais e sociais. Os fundos europeus e em particular o plano de recuperação português constituem uma importante oportunidade para que as empresas façam o seu caminho na transição enérgetica e reforcem a sua rentabilidade.

Vera Pinto Pereira, presidente da EDP Comercial, fala dos desafios que se colocam ao setor empresarial nacional na transição energética e o caminho que a EDP seguiu, assumindo um papel de parceria com as empresas e a economia nacional.

Qual é o estado da transição energética em Portugal? 

Portugal tem feito um percurso assinalável na trajetória de descarbonização. Em 2019, as energias renováveis representaram 31% da energia consumida a nível nacional, o que nos colocava em 7º lugar na União Europeia.

No setor elétrico, as renováveis foram responsáveis por 54% da produção de eletricidade em 2019, o dobro face aos 27% de 2004. Este forte crescimento, impulsionado pelas energias eólica e hídrica, é ainda mais relevante se nos lembrarmos que as transições no setor energético são demoradas, devido à vida longa dos ativos, como as centrais a carvão, gás, entre outras.

A partir deste ano, a origem das energias que consumimos em Portugal ficará ainda mais verde, com o encerramento das centrais a carvão – em janeiro, a EDP encerrou antecipadamente a central de Sines. Também devido a este esforço de transição energética, as emissões de gases de efeito estufa estão numa clara trajetória de redução, tendo já caído mais de 20%, face a 2005.

Do lado dos consumidores, nota-se também uma maior preocupação com as questões ambientais, assim como uma adesão crescente a soluções verdes. Exemplo disso é o forte crescimento nas vendas de painéis solares para autoconsumo e as vendas de veículos elétricos – em 2020, quase 14% dos veículos vendidos em Portugal foram elétricos e híbridos plug-in, uma das taxas mais elevadas da União Europeia.

Que papel desempenha a EDP neste novo modelo de economia mais verde e sustentável?

A urgência pela eletrificação e por uma transição energética sustentável é imensa, tendo-se tornado absolutamente crítica para a sociedade e para um conjunto de setores como a indústria, os transportes e os edifícios, que terão de se alterar profundamente para cumprir os objetivos da Agenda 2030 das Nações Unidas e o Acordo de Paris.

Há mais de uma década que o grupo EDP antecipa as principais tendências globais e os futuros desafios, através da aposta acelerada em energias renováveis, eficiência energética e inovação. Desde então, já investimos mais de 20 mil milhões de euros e passámos de 20% de renováveis na nossa produção, em 2005, para já 85% no primeiro trimestre de 2021.

Mas não quisemos ficar por aqui. Reconhecemos o papel do setor energético na descarbonização e reforçámos a nossa ambição: vamos deixar de produzir energia a partir do carvão até 2025 – já o fizemos em Portugal – e, até 2030, queremos ser 100% verdes, produzindo energia a partir da água, do sol e do vento. Desta forma, pretendemos alcançar a neutralidade carbónica 20 anos antes do que o previsto para o setor. 

Que investimento estão a fazer para alcançar esta meta?

Vamos investir €24 mil milhões nos próximos quatro anos para duplicar a capacidade de produção renovável, adicionando ao nosso portefólio cerca de 4GW de renováveis a cada ano.

Mas para que esta transição seja possível, é preciso promover também a mudança junto dos nossos clientes. Neste sentido, definimos como objetivo em todas as geografias onde somos comercializadores: aumentar em 10 vezes a nossa capacidade instalada em produção solar distribuída até 2025; e alcançar na mobilidade elétrica os 40 mil pontos de carregamento público e privado a nível global em 2025, um crescimento de 28 vezes face à atualidade.

Somos ainda uma voz ativa no combate às alterações climáticas. Recentemente, fomos uma das 408 empresas e investidores com presença nos Estados Unidos que enviaram à Administração Biden uma carta aberta, alertando para a importância de assumir uma maior ambição nesta luta pelo clima.

Este caminho que a EDP tem vindo a percorrer completa-se ainda com uma estratégia de sustentabilidade também nas fontes de financiamento, tendo sido a primeira empresa portuguesa a emitir Green Bonds (€5,1 mil milhões desde 2018), e com um claro reconhecimento internacional do alinhamento da nossa estratégia com a transição energética, que apoia o planeta, as pessoas e as comunidades: estamos nos principais índices de sustentabilidade – integrámos pelo 13º ano consecutivo o Dow Jones Sustainability Index.

No entender da EDP, Portugal está desenvolvido ou atrasado nesta matéria?

Portugal tem feito um caminho importante na transição energética, tendo-se comprometido com metas ambiciosas até antes de outros países europeus e reforçado ao longo do tempo o seu compromisso com as metas europeias. Há muito trabalho a fazer e este é um esforço de todos nós – instituições, empresas e cidadãos.

Quais os grandes números e os principais desafios do setor empresarial nacional na transição energética?

Atualmente, entre os principais desafios estão as restrições de liquidez e a importância de uma boa previsibilidade do enquadramento regulatório e fiscal.

A transição energética exige um montante considerável de investimento inicial, que depois é compensado pelas poupanças energéticas ao longo dos anos. No entanto, para que esse investimento inicial seja possível, é necessário que as empresas tenham liquidez e clara visibilidade a prazo.

Neste sentido, as empresas têm procurado parceiros de negócio que, como a EDP, estejam disponíveis para participar esse investimento inicial em soluções energéticas que se pretendem que sejam feitas cada vez mais à medida do cliente, procurando maior eficiência e sustentabilidade.

A EDP Comercial tem procurado ocupar este espaço, assegurando uma oferta que torne mais simples e acessível a oportunidade da transição energética para o cliente final. A empresa leva mais de uma década de experiência na oferta de soluções de eficiência para os seus clientes. Um caminho que se distingue pela poupança acumulada que os seus clientes vão alcançando; pela flexibilidade dos modelos de negócio que oferece, através dos quais a EDP assume investimento pelo cliente; e, por último, pela previsibilidade que proporciona, através de soluções que permitem estabilizar o preço da energia e, simultaneamente, oferecer descontos significativos na fatura.

É possivel fazer uma transição verde justa sem afetar a economia?

A transição verde não só é necessária, como é possível com benefícios económicos, ambientais e sociais. 

Na última década, houve uma forte redução dos custos de várias tecnologias verdes, o que permite que o crescimento económico e a sustentabilidade ambiental já não sejam vistos como um trade-off. A título de exemplo, desde 2010 o custo nivelado de produção de uma nova eólica caiu para menos de metade e do solar caiu mais de 80%.

Esta acentuada redução de custos observa-se também noutros vetores, como a eficiência energética, como é o caso das lâmpadas LED, e, mais recentemente na mobilidade, com os veículos elétricos.

Atualmente, a economia verde é já considerada como um motor de crescimento global, uma vez que estamos a poupar importações de combustíveis fósseis, a criar clusters nacionais e aumentar a mão-de-obra local, ao mesmo tempo que construímos uma sociedade mais resiliente a choques externos.

Vários estudos apontam neste sentido. Ainda este mês, foi divulgado um estudo da McKinsey para o BCSD Portugal, em que se conclui que, para atingir os objetivos de descarbonização, será necessário um investimento equivalente a cerca de 1% do PIB até 2050, mas que as poupanças ultrapassarão esses custos.

Obviamente, para alavancar os benefícios económicos da transição verde, é necessário planeamento e um conjunto de políticas económicas e fiscais que removam barreiras aos investimentos necessários e que promovam visibilidade a longo prazo.

Como encaram o Plano Nacional Energia e Clima 2030 (PNEC)? Vamos conseguir cumprir essas metas?

São objetivos ambiciosos, mas atingíveis. O objetivo principal passa pela redução das emissões até 55% em 2030, face aos níveis de 2005, o que implica atingir um peso de 80% de renováveis na eletricidade em 2030, quando atualmente estamos em 54%.

Medidas a implementar para a promoção dos objetivos do PNEC incluem o impulso ao desenvolvimento de renováveis, definindo planos concretos para leilões a médio prazo, de modo a garantir clareza sobre o retorno dos investimentos. No consumo de todos nós, é necessário promover a eletrificação e a produção de energia distribuída, estabelecendo programas de eficiência energética com foco na eletrificação, como é exemplo a mobilidade elétrica, e atribuindo incentivos fiscais e monetários à adoção destas tecnologias. Por fim, é fundamental modernizar e expandir infraestruturas críticas, com a promoção de redes inteligentes, a expansão da rede de carregamento dos veículos elétricos e o investimento em tecnologias facilitadoras da transição energética, como o armazenamento e flexibilidade do consumo.

Como se está a posicionar a EDP como o parceiro de sustentabilidade junto do setor empresarial em Portugal? A EDP é um parceiro que opera em várias geografias, apoiando multinacionais nos vários países em que estão presentes. Pode dar alguns exemplos?

Atualmente, a EDP procura acelerar esta transição enquanto fornecedora de serviços de eficiência energética, solar e mobilidade, em seis países – Portugal, Espanha, Itália, Polónia, Brasil e Estados Unidos.

Com diferentes modelos de negócio, consoante as necessidades das empresas, temos procurado desenvolver um modelo operacional que, através de uma única plataforma, nos permite entregar soluções de valor acrescentado em qualquer uma destas geografias.

Esta abordagem integrada, que cobre as áreas de produtos, engenharia e serviço ao cliente, permite incorporar sinergias e partilha das melhores práticas entre todos os territórios, e potencia também uma resposta para empresas presentes em várias geografias. Deste modo, a EDP torna-se particularmente interessante face a outras empresas que assumem um foco mais local.

A Exide é um exemplo de um cliente multinacional a quem oferecemos soluções em vários países em produção solar no modelo As a Service, com a instalação de centrais em várias fábricas da empresa, de cerca de 5 MWp em Portugal e Espanha, e com quem temos também projetos em desenvolvimento em Itália e Polónia.

Quais são as necessidades identificadas pela EDP no segmento B2B e quais as soluções existentes no mercado? A oferta B2B da EDP Comercial contempla soluções integradas, dimensionadas à medida das capacidades e do modelo energético de cada empresa. De que soluções falamos e como se mede o seu impacto?

A monitorização e o consumo de energia são relevantes para as empresas, não só pela preocupação com a redução de custos, mas também pela adoção de comportamentos mais sustentáveis. Na EDP, asseguramos vários serviços e modelos de negócio ajustados às necessidades.

Destaco, por exemplo, as soluções de fornecimento de energia em regime de PPA (Power Purchase Agreement), que oferecem maior competitividade e também estabilidade de preços a longo prazo, bem como energia de origem renovável. Recentemente, celebrámos com a NOS um contrato de mais de 10 anos que vai garantir uma poupança de cerca de 20% na sua fatura, e que ganha a dimensão verde, por estar ligado à construção de um parque da EDP Renováveis.

É também importante o autoconsumo de energia solar, onde a EDP tem crescido de forma significativa, tendo atingido 50.000 instalações a nível ibérico. Um crescimento que se deve à disponibilização de soluções à medida das necessidades e orçamento, em muitos casos assumindo a EDP 100% do investimento, no modelo de negócio As-a-Service.

A mobilidade elétrica será também fundamental. Nesta frente, a EDP tem trabalhado sobretudo na infraestrutura e soluções de carregamento, de modo a criar condições favoráveis à eletrificação das frotas empresariais. Temos parcerias com marcas locadoras para oferta de soluções de carregamento privado. E temos assegurado um crescimento importante da rede de carregamento publico, através de parcerias com empresas como a Ibersol, o Benfica, a BP/Brisa/Repsol, ou os Hotéis Vila Galé. A EDP acaba aliás de cumprir o seu objetivo para 2021 de ter 1.000 pontos de carregamento contratados.

Por último, a eficiência energética é um dos mecanismos mais utilizados para reduzir a fatura de energia e tornar o consumo mais eficiente. Na EDP, com base em estudos técnico-económicos, apoiamos a implementação de ações de eficiência energética que podem gerar poupanças interessantes para os clientes.

Qual o impacto que o Plano de Recuperação e Resiliência pode ter na transição energética?  

Estamos perante o pacote de estímulos mais significativo de sempre, que representa uma oportunidade única para a implementação de reformas relevantes para criar uma Europa mais verde, digital e resiliente.

No caso do Plano de Recuperação Português, a percentagem de orçamento alocada à transição energética é de 18% e será repartido pela mobilidade sustentável, descarbonização e bioeconomia, eficiência energética e renováveis.

Este tipo de apoios é particularmente relevante pela componente de compromisso com a sustentabilidade, mas também pela rentabilidade que lhe está associada. A aposta em soluções de mobilidade, solar distribuido e outras ofertas de eficiência energética, potenciada pelo desenvolvimento tecnológico e por novos modelos de negócio, trará rentabilidades muito interessantes. Isto é particularmente relevante no momento que vivemos hoje, de grande instabilidade dos preços de energia.

Os fundos europeus e em particular o plano de recuperação português poderão constituir uma importante oportunidade para que as empresas deem passos importantes na sua transição e reforcem a sua rentabilidade. Para que o possam fazer eficazmente, é relevante concretizar as necessidades de apoio em projetos específicos, alinhados com as prioridades do negócio, e que possam ser implementados no período que é exigido para a execução dos investimentos.

A EDP está disposta a partilhar investimento com os clientes para os ajudar a migrar para um sistema energético mais sustentável. Que novos modelos de negócio estão a criar para levar a bom porto estes investimentos em projetos de transição energética?

Procuramos adaptar a nossa oferta aos diferentes perfis de clientes. Para além de soluções standard, asseguramos também projetos chave-na-mão. Acreditamos que esta colaboração próxima é um importante impulsionador da transição energética.

É prioritário para as nossas equipas atuar sobre as barreiras que ainda dificultam a adoção de soluções que promovem a eletrificação e a descarbonização e uma delas ainda é o investimento. É por isso que propomos, no caso da energia solar, um modelo As-a-Service, através do qual damos a possibilidade de avançar para uma instalação solar com investimento 100% assegurado pela EDP, com previsibilidade de preços da energia até 15 anos e com garantia de poupança, ao estarmos disponíveis para cobrir custos de desvios de produção, face às estimativas.

Realiza-se este ano o EDP Business Summit. Quais as grandes temáticas deste ano? Que novidades podemos esperar?

Ao longo dos últimos anos, temos procurado criar fóruns de debate sobre as dimensões da transição energética e a forma como podemos apoiar os nossos clientes neste caminho, tornando os seus negócios mais rentáveis. Em 2021, pela dimensão global que a EDP Comercial tem vindo a assumir, lançamos este evento em formato multigeografias, envolvendo os seis países onde temos presença.

A componente internacional do evento não se aplica apenas à audiência. Procurámos criar um programa com oradores de renome de todo o mundo, com visões complementares sobre estas temáticas, que irão convidar-nos a refletir sobre os grandes temas da transição energética, aplicados de forma especial às empresas que querem investir no planeta, ao mesmo tempo que procuram maior rentabilidade.

Convido-vos a participar no dia 17 de Junho!

Acompanhe a conferência no dia 17 de junho | Inscreva-se Agora
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