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Entrevista

Mobilidade: elétrica, partilhada e autónoma

A mobilidade elétrica é um meio para atingir a descarbonização do setor dos transportes e contribuir para uma pegada cada vez mais verde do setor.

Pedro Vinagre, administrador da EDP Comercial, revela as soluções que a empresa já tem à disposição dos seus clientes e qual o caminho a seguir para responder às necessidades crescentes do mercado.

De que forma as empresas do setor elétrico como a EDP podem potenciar a mobilidade elétrica?

O carregamento do veículo é uma componente fundamental da mobilidade elétrica e esse é o espaço mais natural para as empresas do sector energético, como a EDP – o de garantir uma experiência fácil e conveniente no processo de carregamento. Assim, este primeiro passo é essencial para que cada vez mais utilizadores se sintam confiantes nesta transição.

A mobilidade elétrica é um pilar chave da nossa estratégia de liderança da transição energética. Sabemos hoje que a mobilidade não será apenas elétrica, mas também partilhada e autónoma. E isto abre a possibilidade de estarmos junto dos nossos clientes também em novos mercados da mobilidade, que vão apoiar as várias fases da sua jornada, desde o momento em que pensam na aquisição de um veículo elétrico, até ao seu carregamento em casa, na empresa ou na via pública, e na forma como esta experiência deve estar integrada num ecossistema digital.

Particularmente no caso da eletrificação de frotas empresariais, o processo de transição deve ser planeado e toda a gestão da frota otimizada, em função das novas motorizações e fontes de energia. Para isso, a EDP Comercial presta aconselhamento sobre as soluções mais indicadas em função de cada negócio, dimensão e tipo de espaço.

Temos vindo a promover melhores práticas nesta frente, tendo participado num guia online para a eletrificação de frotas corporativas – Corporate EV Adoption Guide – desenvolvido pela WBCSD – World Business Council for Sustainable Development –, que pretende tornar-se numa ferramenta para os gestores de frota consultarem as diferentes etapas para eletrificar sua frota.

Como vê a EDP o estado da mobilidade elétrica em Portugal?

Acreditamos que os números das vendas de elétricos falam por si. Em 2020, cresceram 55%, em movimento contrário à queda de 40% nas vendas dos veículos a combustão. Este ano mantém-se a mesma tendência, com os veículos elétricos a manterem um crescimento de 38%, face ao período homólogo. Este crescimento tem também impulsionado todo o ecossistema da mobilidade: temos assistido a um crescimento consistente na rede pública de carregamento, que já conta com mais de 3.500 pontos de carregamento e terá atingido em abril o maior número de carregamentos de sempre.

A EDP Comercial tem assumido um compromisso crescente – em 2020, fomos o operador com maior crescimento orgânico, e acabámos de ultrapassar o objetivo definido para o final de 2021, de ter 1.000 pontos de carregamento contratados.

A pandemia alterou profundamente a forma como encaramos a mobilidade e nós assumimos a liderança na transição energética e na mobilidade elétrica como um meio para atingir a descarbonização do setor dos transportes e contribuir para uma mobilidade cada vez mais verde. Queremos que a mobilidade elétrica seja uma realidade para todos.

A falta de pontos de carregamento continua a ser apontada como um dos obstáculos à compra de veículos elétricos (sobretudo pelos particulares). De que forma pode a EDP potenciar o aparecimento de novos postos de carregamento?

Apesar de essa lacuna ser muitas vezes identificada (i.e., o número insuficiente de pontos de carregamento na rede pública), atualmente 75% dos carregamentos realizam-se em localizações privadas – em casa ou no trabalho –, com uma situação muito mais próxima da forma como carregamos o nosso telemóvel, quando não o estamos a utilizar e carregamos durante a noite.

No entanto, ainda existe de facto espaço para a rede pública em Portugal crescer, acompanhando as métricas de referência da Europa, já que contamos atualmente com um rácio de 21 veículos por ponto de carregamento, fazendo de Portugal um dos países da Europa que mais terá que investir para chegar aos 20 mil pontos até 2025 e 40 mil em 2030.

Adicionalmente, sabemos que o crescimento no carregamento público tem de acompanhar as vendas dos veículos, à medida que a mobilidade elétrica é adotada por mais utilizadores, muitos deles sem garagem. Em dez anos, estimamos que 40% a 50% da energia dos veículos elétricos será fornecida por carregadores públicos.

Para além de estar a desenvolver soluções de carregamento em casa e no trabalho, cada vez mais completas e digitais, temos procurado também aumentar significativamente a rede pública. E esse compromisso é claro na nossa estratégia.

São exemplos as mais recentes parcerias anunciadas com o Grupo Ibersol, para a instalação de 90 pontos de carregamento em restaurantes do Burger King e KFC, e com a McDonald’s, para a instalação de 150 pontos em restaurantes da marca. E, em abril, inaugurámos na A1 o primeiro carregador ultrarrápido da EDP Comercial, numa parceria com a Brisa, BP e Repsol para a instalação de 48 pontos de carregamento rápidos e ultrarrápidos nas principais autoestradas nacionais.

Neste momento, esse trabalho está a ser feito em parceria com os vossos clientes ou também com o Estado central e autarquias? Quais as principais ações e metas que se propõem atingir neste campo?

O ecossistema da mobilidade elétrica e do carregamento público não será potenciado sem uma estreita colaboração entre entidades privadas e públicas. Não é possível resolver os desafios que enfrentamos hoje sem o esforço de todos. A expansão da rede pública precisa do envolvimento de várias entidades – desde empresas com localizações estratégias, a autarquias, passando obviamente por empresas como a EDP. A identificação de novas localizações para o crescimento da rede é crucial e os municípios podem desempenhar um papel ativo neste processo, já que sabem as necessidades específicas dos seus cidadãos.

A EDP já opera pontos de carregamento em cerca de 90 municípios, garantindo assim uma dispersão geográfica de opções de carregamento pelo território nacional. Inaugurámos já em 2021 o primeiro hub de carregamento num município, na Maia, e mais recentemente entraram em operação nove pontos de carregamento rápidos no Porto.

Estão a desenvolver trabalho, ao nível de I&D colaborativo para melhorar as características das infraestruturas de carregamento, nomeadamente tempos de carregamento mais rápidos?

Procuramos dotar o mercado de soluções que deem resposta às diferentes necessidades de utilização, que podem ser de carregamento mais lento, até ao carregamento ultrarrápido.

O carregamento em casa e no trabalho é tipicamente lento, realizado enquanto o carro está parado. E, em média, um carro na Europa está 95% do tempo parado – e é nesse tempo que o carro deve carregar, seja em casa, na via pública, no supermercado ou num restaurante.

Já em viagens mais longas, o tempo de carregamento pode ser um fator mais crítico e, nestes casos, a solução que temos preconizado são os carregadores mais rápidos nas áreas de serviço e, recentemente, os ultrarrápidos nas autoestradas, para minimizar o tempo de espera.

Procurando facilitar o planeamento das viagens e apostando na melhoria e digitalização da experiência do cliente, a EDP disponibiliza o acesso a todos os postos da rede pública, tarifário e disponibilidade do posto, através da sua App EDP EV.Charge.

O carregamento dos veículos no local de emprego continua a ser uma solução para muitos utilizadores de veículos elétricos ou híbridos?

É importante que as empresas garantam aos seus colaboradores soluções de carregamento nas suas instalações, acompanhando a preocupação ambiental e motivando a transição de cada vez mais condutores. O que tipicamente acontece é que os clientes empresariais aderem a soluções de carregamento quando a sua própria frota já começou o processo de transição. Aí, um gestor de frota espera ter uma solução de carregamento integrada, com uma componente digital que permita à empresa fazer a gestão dos seus carregadores e carregamentos. É precisamente isso que oferecemos com a solução EDP EV.Charge, uma app que lhe permite conhecer com detalhe toda a informação sobre os carregamentos, gerir acessos, definir tarifas, entre outras funcionalidades.

Para além do portefólio robusto de soluções para frotas elétricas com diferentes níveis de customização e possibilidade de modalidade as a service, sem investimento inicial, estamos também a trabalhar no desenvolvimento de novas funcionalidades para empresas, como a gestão inteligente de cargas (smart charging), para permitir que mais veículos sejam carregados em edifícios com potência instalada limitada, ou como a capacidade de reembolsar os custos que os colaboradores tenham com carregamentos realizados em sua casa ou na rede pública.

Clientes como a McDonalds são o exemplo da maior procura deste tipo de soluções por parte do tecido empresarial português?

Parceiros como a McDonald’s procuram dar soluções convenientes aos seus clientes que, agora, têm melhores opções para se deslocarem num carro elétrico e usufruírem de uma refeição com a sua família, enquanto o veículo carrega. Nos pontos que estamos a instalar de norte a sul do país, e também nas ilhas, será possível carregar o equivalente a 100 quilómetros em apenas 20 minutos. O cliente pode recarregar a sua bateria enquanto almoça ou janta, o que lhe dá mais conforto no uso de um veículo elétrico.

Um estudo da EY e da Eurelectric divulgado no início do ano, mostra que a eletrificação das frotas (públicas e privadas) poderia representar um corte de 50% nas emissões de CO2 na Europa. Que iniciativas estão a ser desenvolvidas pela EDP nesta área? Uma vez concluídas, o que representarão quer em termos de poupança para a empresa como ao nível das emissões?

A eletrificação de frotas é um vetor essencial da nossa estratégia, porque a eletrificação é a forma mais eficiente de descarbonizar o sector dos transportes, que é ainda responsável por cerca de 25% das emissões de CO2 a nível europeu. São precisamente as frotas corporativas que têm um especial papel nesta fase, por serem as que primeiro estão a garantir essa transição, já que representam cerca de 20% do parque automóvel, mas mais de 40% dos quilómetros percorridos e contribuem para cerca de metade das emissões do transporte rodoviário. Em Portugal, as viagens de carro representaram mais de 88% dos quilómetros percorridos em veículos de passageiros, acima da média europeia.

Eletrificar estas frotas significa planear. Nem todas as frotas são iguais e nem todos os veículos de uma frota são eletrificáveis. Por isso, é muito importante a presença da EDP junto das empresas, prestando aconselhamento e dimensionamento da oportunidade, e não apenas como mero fornecedor de equipamentos ou de serviços de operação e manutenção de pontos de carregamento. Partilhando também a experiência de eletrificação da nossa própria frota de ligeiros, que pretendemos que seja 100% elétrica até 2030.

Em conjunto com os principais atores do setor automóvel – marcas automóveis e locadoras –, apresentamos soluções de carregamento integradas no momento da compra do veículo elétrico.

A seu ver, quais os principais problemas com que ainda se depara a mobilidade elétrica?

Precisamos de ter maior enquadramento para o desenvolvimento da mobilidade elétrica, alinhado com os objetivos públicos de neutralidade carbónica em 2050, bem como um enquadramento regulatório inclusivo, adequado à fase atual do carregamento público, e que garanta uma competição justa para o desenvolvimento das atividades dos vários agentes. Essa regulamentação deve também orientar a participação dos agentes públicos e privados na adoção da mobilidade elétrica. É, por isso, importante que se conheça de que forma vai evoluir o modelo MOBI.E e que essas mudanças sejam definidas com a colaboração dos agentes de mercado.

É também preciso fazer mais e melhor na infraestrutura de carregamento. Faltam mecanismos de incentivo ao investimento fora dos grandes centros urbanos, onde ainda não é rentável investir, mas que são importantes para satisfazer as necessidades dos utilizadores.

Paralelamente, é também fundamental que os processos de certificação e licenciamento de novos postos de carregamento sejam mais céleres, para otimizar a resposta por parte dos operadores à crescente procura do mercado.

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