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Flexibilidade: vantagens a dobrar no mundo das energias renováveis

Flexibilidade: vantagens a dobrar no mundo das energias renováveis

Já não se trata apenas de recorrer às energias renováveis. Todos nós podemos ajudar a gerir a intermitência da energia produzida a partir da água, do sol e do vento, contribuindo para a estabilidade do sistema elétrico e, ainda, ganhando com isso. À capacidade de fazer essa gestão e aproveitar essa oportunidade chamamos de flexibilidade, cujas soluções são cada vez mais possíveis e versáteis.

Publicado em 01 de Junho de 2021 às 12:38

Em Portugal, os dados referentes a 2019 demonstram que as energias renováveis representavam 31% da energia consumida a nível nacional, colocando-nos em sétimo lugar na União Europeia. Foram responsáveis por 54% da produção de eletricidade, o dobro face a 2004, que se ficou pelos 27%. A opção por este tipo de soluções diz não só respeito a uma maior consciência ambiental e preocupação do lado dos consumidores, como a uma noção de que as soluções verdes são também economicamente sustentáveis. O forte crescimento das vendas de painéis solares para autoconsumo, assim como de automóveis elétricos, que, em 2020, atingiram quase 14% do total de veículos vendidos em Portugal (uma das taxas mais elevadas da União Europeia), são disso bons exemplos.

Flexibilidade energética

O aumento da produção de energia a partir de fontes renováveis trouxe maiores desafios para equilibrar o sistema elétrico, já que a energia que provem do sol ou do vento é, pela sua, natureza intermitente. Como praticamente não é possível armazenar energia, é necessário encontrar mecanismos que garantam a estabilidade do sistema, de forma a garantir que não há interrupções no fornecimento. Se, num dado momento, for necessária mais energia, não se pode pedir ao sol para brilhar mais ou para o vento soprar com mais força. No passado, este problema solucionava-se pedindo a uma central térmica para aumentar a sua produção, o que representava um custo significativo para o sistema, uma opção que está a ser abandonada, à medida que se procuram utilizar cada vez menos tecnologias poluentes para produzir energia. Por isso, a melhor alternativa tem sido encontrar empresas que estejam disponíveis para alterar o seu consumo de energia, reduzindo a sua utilização quando a rede tem maior procura, havendo uma remuneração associada a essa flexibilidade.

O sistema elétrico passa a ter dois tipos de fornecedor para este serviço – as centrais de produção clássicas e aqueles consumidores que disponham de cargas flexíveis a concorrerem entre si. O resultado é de benefício para os dois lados: o sistema elétrico tem custos mais baixos face ao sistema tradicional e os consumidores com esta disponibilidade têm novas fontes de receita.

Para que este sistema funcione, é necessário gerir a produção e o consumo de acordo com as condições climáticas, com as necessidades dos consumidores e com acontecimentos inesperados na rede. Este aumento de complexidade na gestão do sistema precisa de uma resposta tecnológica à altura e encontra resposta em sistemas inteligentes de que as comercializadoras de energia dispõem, como é o caso da EDP Comercial.

Parceiros de soluções empresariais

Atenta à evolução do mercado, a EDP investiu, em 2020, seis milhões de euros na GridBeyond, uma empresa líder em soluções de otimização do consumo energético, que respondem aos desafios da flexibilidade. Este investimento foi um passo integrante da sua estratégia de expansão internacional, mas também de liderança da transição energética, com a aposta numa área-chave no futuro do setor, apoiando na gestão da flexibilidade das cargas e consumos dos clientes. A GridBeyond foi fundada em 2007 na Irlanda e é uma das principais empresas do mercado europeu da flexibilidade, participando em vários programas de automação energética através da própria plataforma que desenvolveu.

As soluções inteligentes da empresa irlandesa atuam remotamente sobre as cargas flexíveis de fábricas ou qualquer outro tipo de empresas. Trata-se, por exemplo, de regular remotamente os grandes fornos, os sistemas de frio ou os sistemas de climatização de edifícios, garantindo que não há impacto na produção final. Por outro lado, quando o cliente permite esse acesso remoto, vê diminuir a sua fatura energética, ou seja, é remunerado pela sua participação no mercado de serviços de sistema local. Neste modelo, em que coexistem a geração centralizada e a geração descentralizada, o consumidor é, agora, também um produtor de energia, ou um “prosumidor” (prosumer). No caso de edifícios com painéis solares, estes não só satisfazem as suas necessidades energéticas, como podem abastecer a rede pública.

O papel das famílias

Tal como lembra António Coutinho, presidente da EDP Inovação, “a descarbonização implica eletrificação, mas não nos esqueçamos que a eletricidade representa apenas 22% do consumo da nossa energia total. É preciso eletrificar a restante energia, para uma total descarbonização”. Sendo esta uma responsabilidade de todos nós, será determinante que os consumidores terem um papel nesta mudança. No entanto, “cabe às empresas a inteligência suficiente para desenvolver soluções que respondam às necessidades dos clientes e sejam por estes de fácil adoção”. É nesse tipo de projetos que a EDP tem estado envolvida, nomeadamente na integração das soluções de mobilidade elétrica.

Para resolver a questão da saturação da rede de energia, estão a ser desenvolvidas soluções inteligentes para adequar o consumo dos carregadores de veículos elétricos em alturas de muito sol ou para gerir os carregamentos durante a noite, quando há menor consumo e maior produção de energia eólica. No futuro, a elevada concentração de veículos elétricos a carregar num dado local, pode conduzir a situações de constrangimentos de capacidade, que podem ser resolvidas com sistemas inteligentes de gestão de carregamento.

A flexibilidade ao serviço de todos

É importante que todos tenhamos uma cada vez maior consciência sobre as pequenas alterações que podemos fazer nos nossos comportamentos e que podem, até, vir a beneficiar-nos economicamente, estando disponíveis para alterar hábitos de carregamento, se tal for necessário. Sabemos que,em Portugal, a quase totalidade (75%) dos carregamentos de veículos elétricos ocorrem em casa ou no local de trabalho, e os restantes em locais públicos como centros comerciais, parques de estacionamento ou estações de carregamento rápido. A gestão dos picos de procura com os de produção de energia renovável, poderão ser geridos através da implementação de soluções de carregamento inteligente.

Smart Charging

Maximiza a capacidade de carregamento de veículos elétricos num determinado local, já que é capaz de responder às necessidades em tempo real e minimizar a simultaneidade com os eletrodomésticos e outras cargas.

Vehicle to Grid

Diz respeito à possibilidade de os veículos devolverem energia à rede, fazendo, também, um melhor aproveitamento das energias renováveis. Os veículos elétricos abastecem-se de energia durante a noite (quando é mais frequente haver muito vento e, por isso, produção elétrica superior à procura) e, nos períodos de grande procura energética em que estejam estacionados, sem utilização, são os próprios a partilhar com a rede a energia acumulada. Garante-se, assim um aproveitamento maior da energia renovável, diminuindo a necessidade de recorrer à produção proveniente de fontes não renováveis.

O caminho é por aqui. A transição para a descarbonização, descentralização e eletrificação do nosso consumo passa, necessariamente, pelo desenvolvimento de soluções de armazenamento e flexibilidade, mas também da massificação da sua utilização.

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