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Entrevista

Democratizar e descentralizar a energia solar

Portugal é dos países europeus com maior radiação solar e com um enorme potencial por explorar.

Publicado em 18 de Junho de 2021 às 08:22

Nos próximos anos iremos assistir a uma explosão do mercado da energia solar descentralizada. Miguel Fonseca, administrador da EDP Comercial fala dos desafios do presente e do futuro do setor.

A energia solar tem estado em crescimento na última década, mas apenas representa cerca de 3% da produção de energia em Portugal. Sendo Portugal um país de muito sol, a que se devem estes baixos números?

Se, no início da década passada, a energia solar centralizada registou alguma expansão, a verdade é que a falta de enquadramento regulatório acabou por estagnar o seu crescimento. Desde 2019, ano em que foram lançados pelo Governo os primeiros leilões para grandes centrais, voltámos a registar um crescimento significativo, com vários parques em desenvolvimento.

Em paralelo, o custo nivelado de produção de uma central fotovoltaica – valor do custo unitário de eletricidade ao longo da vida útil do ativo – caiu mais de 80% na última década, o que possibilitou que o solar já seja mais competitivo do que as centrais térmicas convencionais.

A conjugação destes dois fatores – a definição de enquadramento regulatório e a forte redução de custo – deverá levar a uma aceleração desta tecnologia na próxima década.

Relativamente à energia solar distribuída, com painéis instalados nas empresas e nas residências, tem havido uma expansão significativa desde 2015, altura em que foi criado o enquadramento regulatório para o autoconsumo dessa energia – só entre 2018 e 2020, a potência instalada duplicou. Mais uma vez, a redução do custo, assim como uma maior consciencialização ambiental dos cidadãos, ajudou a expandir o mercado. Com estes fatores, associados ao lançamento do conceito das comunidades solares de energia, assistiremos certamente a uma enorme aceleração da energia solar fotovoltaica em Portugal nos próximos anos.

O PNEC 2030 estabelece como objetivos que, em 2030, a energia solar represente cerca de 27% da produção de eletricidade e que a capacidade instalada aumente para os 9 GW (comparativamente com os 2 GW atuais). Como olha para estes objetivos? Parecem alcançáveis? 

O PNEC 2030 estabelece objetivos ambiciosos, mas alcançáveis. Já estão assegurados cerca de 2 GW de capacidade adicional, através dos leilões promovidos pelo Governo, e está também previsto um novo leilão ainda este ano. Para atingir o objetivo do PNEC, é necessário manter este ritmo de leilões de energia, com regras claras e com projetos com visibilidade a longo prazo, mas é também importante promover os designados “PPA Corporativos”, que são contratos bilaterais de longo-prazo entre um produtor de energia renovável e uma empresa que pretenda adquirir eletricidade verde. No último ano, registou-se um crescimento acelerado desta modalidade em Espanha, com a assinatura de cerca de 4 GW de contratos, e espera-se que Portugal também acompanhe esta tendência, tendo a EDP Comercial assinado recentemente dois PPA com empresas em Portugal.

Mas estas metas só serão possíveis de alcançar se houver uma democratização da energia solar, através do solar descentralizado em clientes residenciais e empresariais. Neste campo em particular, vemos cada vez mais uma enorme aceleração do ritmo de adoção pelos nossos clientes e parceiros.

Quais os principais desafios que este mercado enfrenta para conseguir alcançar estas metas?

Um dos principais desafios é o volume de investimento necessário. A associação europeia do setor Eurelectric estima que serão precisos 100 mil milhões de euros por ano, a nível da UE, para ser possível atingir a neutralidade carbónica em 2050. São metas que requerem que os países atraiam mais investimentos na transição energética, o que só será possível se conseguirem garantir aos investidores estabilidade de longo prazo, com legislação e regulamentação adequada, assim como contratos de energia com risco controlado.

Para além da atração de capital, outro ponto crítico é garantir a boa gestão de um sistema elétrico que integra mais de 80% de renováveis, como previsto no PNEC para 2030. Será necessário investir em infraestrutura de suporte e mecanismos de flexibilidade, incluindo redes inteligentes e baterias. A eletrificação de outros usos energéticos, como a mobilidade elétrica e bombas de calor, é também um importante facilitador da integração de renováveis.

Estas metas alcançam-se sobretudo através da descentralização da energia solar, através da adoção de painéis fotovoltaicos nas empresas e casas. Em que medida é que o investimento em painéis fotovoltaicos pode beneficiar as empresas e as famílias?

Sem dúvida que a democratização da energia solar será um vetor chave da transição energética nacional, uma vez que a implementação de painéis solares em cada vez mais casas e empresas será fundamental, tanto para a transição energética dos próprios consumidores, como para a resiliência do sistema. O PNEC 2030 inclui uma ambição de crescimento solar, dos quais 1.5 GW são solar descentralizado, o equivalente a 1.500 campos de futebol. Estes valores são alcançáveis e, pela nossa experiência, até excedíveis, já que noutros países o solar descentralizado chega a representar 20% de toda a nova capacidade solar instalada.

Hoje em dia, o investimento em painéis fotovoltaicos é extremamente competitivo e com taxas de retorno muito atrativas, quer para clientes empresariais, com um retorno ao fim de quatro a seis anos e uma taxa interna de retorno (TIR) de até 25%, quer para famílias.

Estas são taxas de retorno difíceis de igualar, porque permitem aos clientes recuperar o investimento em relativamente pouco tempo e beneficiar de energia grátis e renovável durante o resto da vida útil da instalação solar, que pode ir até 30 anos.

Por último, através das novas comunidades solares de energia, as empresas e famílias com espaço de telhado disponível para instalações solares também podem beneficiar de condições especiais, cedendo o espaço disponível do seu telhado para a criação de Bairros Solares EDP, que visam fornecer energia renovável aos vizinhos do mesmo bairro.

Em resumo, a descentralização tem um papel fundamental na entrega de poupanças às famílias e empresa e, de forma mais abrangente, na transição energética da sociedade.

Quais os maiores desafios que as empresas enfrentam para abraçar esta mudança?

Podem existir vários motivos pelos quais uma empresa tenha dúvidas na decisão sobre instalar painéis solares.

Em primeiro, porque existe desconhecimento sobre a oportunidade do ponto de vista económico, a par de nem sempre haver capacidade investimento e disponibilidade de financiamento. Para maximizar a rentabilidade do investimento numa central solar, é preciso encontrar o dimensionamento certo da instalação e construir um business case adaptado à realidade de cada cliente. Isto exige um estudo detalhado da radiação solar na zona, da eficiência do sistema a ser implementado e do perfil de consumo da empresa, para calcular o dimensionamento ótimo da instalação, maximizando o retorno da mesma. Um investimento numa central sub ou sobre dimensionada pode resultar numa poupança e retorno real inferior ao esperado. É, por isso, fundamental que as empresas sejam bem apoiadas na tomada de decisão.

Em segundo lugar, ainda há receio sobre a complexidade de gerir uma central fotovoltaica. Algumas empresas consideram que o trabalho associado à sua operação e manutenção para entregar a energia esperada pode impactar o foco no seu negócio principal, o que acaba por afastar alguns clientes desta decisão.

Por último, muitas empresas podem não ter o espaço suficiente, ou limitações legais de usufruto, para poderem instalar um parque com a dimensão ideal para as suas necessidades.  

Que soluções a EDP oferece para ajudar as empresas na transição para a energia solar?

Na EDP, temos tentado antecipar o que podem ser as barreiras dos clientes na adesão à energia solar descentralizada, procurando encontrar e desenvolver soluções que permitam às empresas ultrapassar estes desafios.

Temos uma equipa de engenharia equipada com as melhores ferramentas de mercado, que trabalha em conjunto com os nossos clientes, na construção de cada business case, de forma a garantir a rentabilidade prometida. Esta equipa personaliza a instalação fotovoltaica de acordo com as necessidades do cliente, apresentando um caso de negócio sobre o qual damos garantias de realização. É uma forma de colocarmos a serviços dos nossos clientes a nossa experiência acumulada nas renováveis.

Por outro lado, para ultrapassar a necessidade de financiamento para o investimento inicial, lançámos um modelo de negócio “As-a-Service”, onde a EDP assume 100% do investimento e se encarrega da operação e manutenção da central durante 15 anos. Neste modelo garantimos que o cliente, para além de não fazer nenhum investimento inicial, beneficia desde o primeiro mês de uma poupança de custos líquida – e toda a gestão da instalação solar é assegurada pela EDP.

Finalmente, para ultrapassar a falta de espaço disponível em muitas empresas, desenvolvemos as comunidades solares de energia, permitindo que beneficiem do espaço disponível em edifícios próximos para aceder à energia solar. Complementarmente, temos um leque de produtos, como os já mencionados “Corporate PPA” que asseguram contratos de fornecimento de energia de longo-prazo com origem renovável e permitem às empresas reforçar o seu compromisso com a sustentabilidade.

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